Quem é Willer Tomaz, advogado alvo de operação da PF e amigo de Flávio Bolsonaro?

Nova fase da Operação Sem Desconto mira suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema do INSS. Entre os alvos estão o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha

Quem é Willer Tomaz, advogado alvo de operação da PF e amigo de Flávio Bolsonaro?
Flávio Bolsonaro viajou com Willer Tomaz em um jatinho dos donos do laboratório União Química. Leia e depois continue Total Colaboração R$ 10,00 Continuar minha colaboração
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Advogado e empresário, Willer Tomaz é dono do escritório Willer Tomaz Advogados Associados, sediado no Lago Sul, em Brasília, e conhecido no meio político da capital federal por transitar entre diferentes espectros partidários — o que lhe rendeu, em reportagens recentes, o apelido de "advogado camaleão". Nesta terça-feira (4/8), ele voltou ao centro das atenções como um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao esquema de fraudes em descontos indevidos de benefícios do INSS.

Por que ele é alvo agora

A Polícia Federal cumpriu, ao todo, 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Além de Willer Tomaz, a diligência atingiu a esposa, uma filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado. O próprio Weverton não é alvo direto dos mandados desta etapa, mas segue investigado no inquérito mais amplo.
A explicação oficial da defesa de Willer é que a busca em sua casa e em seu escritório decorre apenas do fato de ele ser dono da aeronave usada por Weverton Rocha em uma viagem particular já conhecida das autoridades — cessão que, segundo a nota, teve "caráter pessoal e amistoso". O advogado afirma não ser investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e diz não ter qualquer vínculo com o esquema de fraudes previdenciárias, colocando-se à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Entre os bens apreendidos durante a ação estão veículos de luxo.

Uma passagem anterior pela Lava Jato

Não é a primeira vez que o nome de Willer Tomaz aparece numa investigação de grande porte. Em 2017 ele chegou a ser preso na Operação Patmos, desdobramento das delações da JBS e do grupo J&F, acusado de intermediar propina e obter informações sigilosas da Operação Greenfield com ajuda do então procurador da República Ângelo Goulart Villela, que também foi preso na ocasião. A denúncia contra ele acabou rejeitada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região por falta de provas, e o empresário Joesley Batista chegou a voltar atrás, afirmando posteriormente que não havia contratado o advogado para influenciar autoridades públicas.

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A amizade com Flávio Bolsonaro

A proximidade entre os dois é pública desde 2021, quando o próprio senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se referiu a Willer Tomaz como "meu amigo" durante uma sessão da extinta CPI da Covid, no Senado. Em 2025, os dois viajaram juntos para a Flórida, nos Estados Unidos, em um jatinho pertencente aos donos do laboratório União Química.
A relação, porém, vai além da amizade declarada. Segundo apuração da Gazeta do Povo, Tomaz atuou mais recentemente na defesa de Flávio no episódio das notas fiscais de R$ 500 mil emitidas pelo escritório do senador em nome da Copenhagen Consultoria — empresa apontada como fachada usada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para movimentar cerca de R$ 58 milhões. As notas, emitidas em abril de 2025, acabaram canceladas, e Flávio nega ter recebido qualquer valor da empresa.
Há ainda uma ligação societária mais antiga: segundo documentos em posse da CPMI e da Polícia Federal, a advogada indicada para administrar o escritório individual de Flávio Bolsonaro — aberto em 2021, com capital social de apenas R$ 10 mil, no mesmo endereço da casa de R$ 5,97 milhões do senador no Lago Sul — teria sido indicada diretamente por Willer Tomaz. Os mesmos requerimentos apontam que o advogado repassou R$ 120 mil a Milton Salvador de Almeida Júnior, descrito como um dos operadores financeiros diretos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS" — apontado como um dos principais articuladores do esquema de fraudes previdenciárias. É, até o momento, o elo financeiro mais direto encontrado entre o entorno de Flávio Bolsonaro e o núcleo do escândalo do INSS, embora a defesa de Willer negue qualquer participação nas fraudes.

Trânsito também com Weverton Rocha

Willer Tomaz não é próximo apenas de políticos ligados à direita. Reportagens o descrevem também como próximo do senador Weverton Rocha, do PDT — vínculo que hoje é o motivo formal alegado pela PF para incluí-lo nos mandados desta fase, em razão do empréstimo da aeronave. Antes disso, em depoimento à PF em novembro do ano passado, um ex-funcionário do "Careca do INSS" já havia relatado que uma filha de Weverton viajou em aeronave de um empresário ligado ao esquema, num encontro no aeroporto Catarina, em São Roque (SP), em fevereiro de 2024.

O que se sabe até agora

Nenhum dos envolvidos — Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro ou Weverton Rocha — foi condenado por qualquer um desses fatos, e todas as apurações mencionadas seguem em curso. A Polícia Federal diz que o objetivo desta fase da Operação Sem Desconto é rastrear a origem e o destino de recursos supostamente ocultados por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas de terceiros, estruturas empresariais e operações em dinheiro vivo, além de individualizar a conduta de cada investigado.