A crise no STF pode decidir seu voto para o Senado?

A crise no Supremo chegou à eleição. E quem disputa uma vaga no Senado terá de dizer o que pretende fazer com ela.

A crise no STF pode decidir seu voto para o Senado?
Crise no STF impacta eleição para o Senado
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Vamos aos fatos.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 18 de setembro 2026 mostrou que 48% dos brasileiros dizem não confiar no STF. É o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2012. Em março, eram 43%. Fonte: Datafolha.
O desgaste existe. Mas há uma pergunta que interessa ao eleitor: quem vai usar essa crise para cobrar responsabilidade e quem vai usá-la para atacar ministros de que não gosta?
A resposta pode pesar na disputa pelo Senado. Segundo o mesmo instituto, 34% dos eleitores dizem que teriam mais chance de votar em um candidato que apoie o impeachment de ministros do STF. Para 31%, esse apoio diminuiria a chance de voto. Outros 30% dizem que a posição não mudaria sua escolha. O país está dividido, e nenhum desses números autoriza dizer que há uma maioria pedindo impeachment. Fonte: Datafolha.
É justamente por isso que precisamos olhar para os fatos, ministro por ministro, decisão por decisão.

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André Mendonça, por exemplo, decidiu afastar preventivamente Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. Kassio Nunes Marques acompanhou o afastamento no julgamento da Segunda Turma. Mexer na chefia da PF em meio a uma crise dessa dimensão é uma decisão grave. Na minha avaliação, exige fundamentos sólidos, transparência e tempo para uma análise cuidadosa. [Fontes: UOL e Folha de S.Paulo].
O procedimento também virou motivo de contestação dentro do próprio Supremo. Gilmar Mendes questionou a rapidez da sessão que confirmou o afastamento e afirmou que seu gabinete teve pouco tempo para examinar o caso. É uma crítica séria. Quando uma decisão de tamanho impacto é tomada às pressas, a Corte deve explicações claras à sociedade. Fonte: UOL.
Minha crítica a Mendonça e a Nunes Marques é política e institucional: decisões com consequências tão grandes não podem dar margem à impressão de disputa entre grupos dentro do tribunal. Os dois precisam responder pelos fundamentos de seus votos e pela forma como atuam.
E o Senado? É ali que pedidos de impeachment contra ministros do STF podem ser examinados e julgados. Por isso, antes de votar, vale perguntar a cada candidato: qual fato concreto justificaria abrir um processo? Você aplicaria o mesmo critério a qualquer ministro? Ou sua posição muda conforme o nome e o interesse político do momento?
Resumindo: o STF deve ser fiscalizado. Mendonça e Nunes Marques devem receber críticas quando suas decisões as justificarem. E candidatos ao Senado devem explicar, sem slogan, como exerceriam um poder tão sério.
A eleição para o Senado também vai definir quem terá a responsabilidade de cobrar o Supremo. Escolha alguém disposto a examinar provas, ouvir defesas e agir com o mesmo critério para todos.