Debate da Globo expõe informações falsas de Flávio Bolsonaro e reacende polêmica sobre morte de criança

Checagens identificaram declarações falsas e enganosas do candidato do PL sobre segurança pública, economia, pandemia e investigações. Defesa de policial acusado pela morte da menina marcou o debate.

Debate da Globo expõe informações falsas de Flávio Bolsonaro e reacende polêmica sobre morte de criança
Diante da mãe de Ana Clara, em debate, Flávio volta a defender PM acusado de assassinar menina.
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O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), foi marcado por confrontos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), acusações sobre investigações policiais e declarações posteriormente contestadas por agências de checagem.
O encontro, mediado pelo jornalista César Tralli, colocou frente a frente os dois candidatos em discussões sobre economia, segurança pública, saúde e programas sociais.
Entre os episódios de maior repercussão esteve a defesa feita por Flávio Bolsonaro de um policial militar acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos.

Flávio defende policial acusado de matar criança

Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua participação na defesa do cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pela morte de Ana Clara.
A criança foi atingida por disparos de fuzil em fevereiro de 2021, enquanto brincava próximo de casa, em Niterói.
A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, acompanhava o debate no auditório.
Durante o confronto, Flávio manifestou solidariedade à família, mas chamou Cristiane pelo nome da filha. Em seguida, afirmou acreditar na inocência do policial. E não respondeu ao questionamento do presidente Lula.
O senador passou a integrar gratuitamente a equipe de defesa de Delaroli em 2024 e assinou recurso para tentar impedir que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado.
O julgamento, inicialmente previsto para 21 de outubro, foi adiado para maio de 2027.
O policial responde ao processo em liberdade e ainda não foi condenado. A responsabilidade criminal deverá ser definida pela Justiça.
A discussão expôs duas questões distintas: o direito constitucional de qualquer acusado à defesa e o debate público sobre a atuação policial em operações que resultam na morte de crianças.

Informações falsas sobre obras públicas

Outro episódio envolveu o número de obras federais paralisadas.
Flávio Bolsonaro afirmou que um relatório do Tribunal de Contas da União apontava mais de 11.500 obras interrompidas no país.
A declaração foi classificada como falsa pelo UOL Confere.
Segundo os dados atualizados do painel do TCU, havia 4.215 obras paralisadas em julho de 2026.
O número apresentado pelo candidato não correspondia ao levantamento atualizado.
A diferença é relevante porque dados desatualizados podem alterar a percepção do público sobre a execução de investimentos federais.

A história da cervejinha reaparece no debate

Flávio também voltou a reproduzir uma afirmação falsa atribuída a Lula, segundo a qual o presidente teria defendido criminosos que roubam celulares para comprar cerveja.
A declaração foi desmentida por verificadores.

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Na gravação original, Lula comentava a necessidade de reduzir a rivalidade entre torcidas de futebol. A referência à cerveja dizia respeito à possibilidade de torcedores adversários conviverem pacificamente depois dos jogos.
Não se tratava de uma defesa de roubos.
A reutilização dessa interpretação distorcida em um debate presidencial demonstra a importância da verificação das falas apresentadas ao eleitorado.

Pandemia e apostas também geraram controvérsia

O candidato do PL negou que Jair Bolsonaro tivesse imitado pessoas com falta de ar durante a pandemia de Covid-19.
O UOL Confere classificou a afirmação como falsa, com base na gravação de uma transmissão feita pelo ex-presidente em março de 2021.
Em outro momento, Flávio responsabilizou Lula pela criação e liberação dos jogos conhecidos como Tigrinho.
A alegação foi considerada enganosa.
A autorização das apostas de quota fixa teve origem em legislação sancionada durante o governo Michel Temer. A regulamentação passou por diferentes etapas, incluindo decisões tomadas durante os governos Bolsonaro.
A inclusão de cassinos online na regulamentação ocorreu durante a tramitação da proposta na Câmara dos Deputados.
Portanto, atribuir a Lula a criação desse mercado ignora a sequência legislativa.

Banco Master e patrimônio entram no confronto

O debate também foi marcado por questionamentos relacionados ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Flávio afirmou que a Polícia Federal havia produzido um relatório que comprovaria a regularidade dos recursos destinados ao filme.
O UOL Confere classificou a declaração como falsa e informou que não havia sido identificado relatório da corporação com as conclusões apresentadas pelo senador.
As investigações sobre o financiamento da produção e possíveis irregularidades permanecem em andamento.
Lula também questionou a origem dos recursos utilizados por Flávio na aquisição de uma residência de alto valor.

Debate reforça importância da checagem

As verificações divulgadas após o encontro apontaram problemas de precisão nas declarações dos dois candidatos, embora esta reportagem examine especificamente as afirmações de Flávio Bolsonaro.
No caso do senador, foram identificados erros objetivos sobre obras públicas, distorções de declarações anteriores e informações contestadas sobre a pandemia e investigações.
A sucessão de episódios evidencia a necessidade de distinguir promessas eleitorais, opiniões políticas, fatos comprovados e acusações ainda em apuração.
Com a votação do segundo turno marcada para domingo, 25 de outubro, a verificação independente das informações apresentadas durante o debate permanece essencial para que o público possa avaliar as declarações dos candidatos com base em fatos, documentos e dados oficiais.