Bolsonaro sabia do plano de matar Lula e concordou

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha conhecimento e deu sua anuência ao plano que previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e Moraes

Bolsonaro sabia do plano de matar Lula e concordou
Jair Bolsonaro tinha conhecimento e concordou com um plano que previa o assassinato de Lula. Foto: Reprodução
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Em fevereiro de 2025, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou uma denúncia na qual afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha conhecimento e havia concordado com o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, elaborado durante as articulações golpistas que se seguiram à derrota eleitoral de Bolsonaro em 2022. Segundo a acusação, a operação previa a eliminação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A gravidade da denúncia ganhou repercussão nacional. A Agência Brasil publicou, em 19 de fevereiro de 2025, uma reportagem intitulada “Bolsonaro sabia e concordou com plano de matar Lula, Alckmin e Moraes”, apresentando os principais elementos descritos pelo Ministério Público Federal. A acusação sustenta que o planejamento foi levado ao conhecimento do então presidente da República, que teria manifestado concordância com a articulação.
O plano que previa assassinar autoridades brasileiras
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o documento chamado “Punhal Verde e Amarelo” foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que ocupou um cargo de destaque na Secretaria-Geral da Presidência da República durante o governo Bolsonaro.
O material descrevia ações violentas contra autoridades consideradas obstáculos à tentativa de impedir a posse do governo democraticamente eleito. Entre os métodos mencionados estavam o uso de explosivos, armamentos e até envenenamento.
Um dos episódios centrais ocorreu em 9 de novembro de 2022, quando o documento foi impresso dentro do Palácio do Planalto. Na mesma data, Mário Fernandes esteve no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
Para a Procuradoria-Geral da República, a sequência de acontecimentos, associada a mensagens recuperadas durante as investigações, indicaria que Bolsonaro acompanhava o desenvolvimento da articulação.
A denúncia também relata que os responsáveis pela operação pretendiam executar as ações em dezembro de 2022. Segundo a PGR, o plano não foi concretizado porque seus articuladores não conseguiram obter o apoio militar necessário.
O que Bolsonaro sabia, segundo a PGR?
Um dos elementos utilizados pela acusação foi uma mensagem enviada pelo general Mário Fernandes ao então ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid.
Na comunicação, Fernandes relatou uma conversa com o então presidente sobre o período em que determinadas ações poderiam acontecer. Segundo o militar, Bolsonaro teria mencionado que a diplomação de Lula, marcada para 12 de dezembro de 2022, não impediria a realização de ações até o encerramento de seu mandato, em 31 de dezembro.
A Procuradoria interpretou esse diálogo como evidência de que Bolsonaro conhecia o esquema e acompanhava a possibilidade de sua execução.
Entretanto, é fundamental fazer uma distinção: a PGR afirmou que Bolsonaro concordou com o plano, mas a existência dessa acusação não equivale, por si só, à comprovação de que ele tenha ordenado diretamente os assassinatos.
Reportagens da imprensa também apontaram questionamentos sobre a força das provas utilizadas para demonstrar a concordância específica do ex-presidente com as mortes. Bolsonaro negou ter participado de qualquer planejamento para assassinar autoridades.
A tentativa de golpe de Estado e os ataques à democracia
O plano de assassinatos foi investigado dentro de um contexto mais amplo: as articulações para impedir a transferência de poder após a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2022.
Segundo a acusação da PGR, integrantes do governo anterior, militares e aliados políticos participaram de iniciativas destinadas a desacreditar o processo eleitoral, pressionar comandantes militares e criar condições para uma ruptura institucional.
As investigações também identificaram discussões sobre uma minuta de decreto que poderia servir de instrumento para medidas excepcionais contra instituições democráticas.

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Em março de 2025, a Primeira Turma do STF recebeu por unanimidade a denúncia contra Bolsonaro e outros sete integrantes do chamado núcleo central da trama golpista. A decisão permitiu a abertura da ação penal, considerando a existência de elementos suficientes para o processamento das acusações.
Posteriormente, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Essa condenação, contudo, não deve ser confundida com uma condenação autônoma por ter ordenado o assassinato de Lula.
General admitiu ter elaborado o documento
Em julho de 2025, durante interrogatório no STF, o general Mário Fernandes reconheceu ser o autor do documento denominado “Punhal Verde e Amarelo”.
O militar, entretanto, alegou que o material representava apenas um pensamento pessoal transformado em arquivo digital e negou que tivesse compartilhado o planejamento com outras pessoas.
Essa versão contrasta com a interpretação apresentada pelos investigadores e pela Procuradoria-Geral da República, que identificaram elementos relacionando o documento às articulações golpistas daquele período.
O episódio tornou-se um dos pontos mais controversos das investigações, especialmente pela gravidade dos alvos mencionados e pela ligação de integrantes do antigo governo com o planejamento.
Por que os brasileiros precisam conhecer esse caso?
O episódio ultrapassa qualquer divergência partidária. A possibilidade de que autoridades eleitas democraticamente tenham sido colocadas na mira de uma operação de assassinato durante uma tentativa de ruptura institucional representa uma questão de extrema importância para o Estado Democrático de Direito.
A democracia pressupõe que derrotas eleitorais sejam respeitadas, que a transferência de poder aconteça pacificamente e que conflitos políticos sejam resolvidos dentro da Constituição.
A existência de um plano dessa natureza, identificado em uma investigação oficial, exige esclarecimento rigoroso, responsabilização individual de quem tenha cometido crimes e respeito às garantias do devido processo legal.
Também exige que a sociedade conheça os fatos documentados, compreenda o conteúdo das acusações e saiba distinguir as conclusões dos investigadores daquilo que foi efetivamente comprovado pela Justiça.
Pesquisem, leiam e tirem suas próprias conclusões
Gente, pesquisem no Google: “Bolsonaro mandou matar Lula”. Leiam as reportagens, consultem a denúncia da Procuradoria-Geral da República e conheçam os detalhes do plano “Punhal Verde e Amarelo”.
Não se trata de uma história inventada nas redes sociais. A existência do documento, as investigações policiais e a denúncia apresentada ao Supremo são fatos documentados. O que exige precisão é a responsabilidade individual de cada investigado e, especialmente, a afirmação de que Bolsonaro teria dado uma ordem direta para matar Lula.
O Brasil precisa conhecer sua história recente para compreender a gravidade das ameaças enfrentadas por suas instituições democráticas.
A democracia não pode ser substituída pela violência, e a vontade popular expressa nas urnas deve ser respeitada, independentemente de quem vença as eleições.
Portal Democrático News | Política e Justiça
Fontes: Agência Brasil (19/02/2025), Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, CNN Brasil e Folha de S.Paulo.