Nikolas Ferreira pagou R$ 20 mil à Meta para impulsionar vídeo com fake news sobre Lula
Nikolas Ferreira destinou entre R$ 20 mil e R$ 25 mil à Meta para impulsionar um vídeo sobre o Pix e o governo Lula. O conteúdo alcançou mais de 1 milhão de usuários.
Deputado federal Nikolas Ferreira aparece em conteúdo relacionado ao Pix e às medidas da Receita Federal, que foi impulsionado por publicidade nas plataformas da Meta. Foto: Democrático News
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) destinou entre R$ 20 mil e R$ 25 mil à Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, para impulsionar um vídeo relacionado ao Pix e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação consta de dados disponíveis sobre publicidade nas plataformas da empresa e foi divulgada por veículos de imprensa.
O conteúdo patrocinado alcançou mais de 1 milhão de usuários nas redes sociais. No vídeo, Nikolas Ferreira apresenta afirmações relacionadas a supostos mecanismos de monitoramento das transações realizadas por meio do Pix e associa a medida ao governo Lula.
A afirmação, entretanto, foi considerada enganosa por verificações jornalísticas. A norma da Receita Federal mencionada no debate não estabelecia um sistema de monitoramento em tempo real das transações realizadas pelos cidadãos nem dava ao governo acesso individualizado aos detalhes das operações feitas por meio do Pix.
Segundo esclarecimentos da Receita Federal, as regras tratavam do envio de informações financeiras pelas instituições de pagamento e buscavam equiparar determinadas obrigações de fintechs às que já eram aplicadas a instituições financeiras tradicionais. A medida não criava um imposto sobre o Pix nem permitia que a Receita acompanhasse individualmente cada transferência realizada pelos usuários.
O caso chama atenção pelo investimento realizado para ampliar a circulação do conteúdo. Em vez de depender apenas do alcance orgânico de suas redes sociais, a publicação recebeu investimento em publicidade da Meta, permitindo que o vídeo fosse exibido para um público maior nas plataformas.
Os dados disponíveis na biblioteca de anúncios da Meta trabalham com faixas de investimento, razão pela qual o valor divulgado aparece como uma estimativa entre R$ 20 mil e R$ 25 mil, e não necessariamente como um valor exato desembolsado pelo deputado.
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A estratégia de impulsionamento ocorre em um ambiente no qual conteúdos relacionados ao governo Lula, ao Pix e à atuação da Receita Federal têm provocado forte repercussão nas redes sociais. Alegações falsas ou sem contexto sobre o tema já haviam circulado anteriormente, provocando esclarecimentos oficiais.
O que dizem os fatos sobre o Pix
A Receita Federal já esclareceu que as regras discutidas não criavam cobrança de imposto sobre transferências via Pix. Também não havia previsão de acesso, pelo governo, ao conteúdo detalhado de cada operação realizada pelos cidadãos.
A discussão ganhou grande repercussão após a circulação de conteúdos nas redes sociais associando a medida a uma suposta tentativa de aumentar a fiscalização sobre usuários do Pix. O episódio acabou levando o governo a revogar a norma em janeiro de 2025, diante da repercussão negativa.
O vídeo impulsionado por Nikolas Ferreira retoma justamente esse episódio e apresenta uma interpretação sobre as medidas adotadas pelo governo federal. Checagens independentes, contudo, apontaram que algumas das afirmações apresentadas no conteúdo não correspondiam ao funcionamento efetivo das regras.
Alcance superior a 1 milhão de pessoas
Além do investimento financeiro, o episódio ganhou relevância pelo alcance obtido pelo conteúdo. Segundo os dados divulgados sobre o anúncio, o vídeo patrocinado chegou a mais de 1 milhão de usuários.
O caso coloca novamente em debate o uso de publicidade paga por políticos para ampliar conteúdos de grande repercussão nas redes sociais, especialmente quando as publicações tratam de temas sensíveis e de forte impacto político.
A utilização de recursos para impulsionar conteúdos não significa, por si só, que uma informação seja verdadeira ou falsa. No caso específico, porém, as afirmações sobre monitoramento do Pix apresentadas no vídeo foram contestadas por verificações jornalísticas e pelos esclarecimentos oficiais da Receita Federal.