Patrocinador do filme do Bolsonaro recebeu do crime organizado, diz Durigan.

Ex-diretor do Banco Genial e empresário cuja empresa aparece no fluxo de recursos destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro estão entre os alvos.

Patrocinador do filme do Bolsonaro recebeu do crime organizado, diz Durigan.
Patrocinador do filme de Bolsonaro recebeu do crime organizado, diz Durigan
Leia e depois continue
Total Colaboração R$ 10,00

Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10

Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram
Contribuição Segura via Pix
Escolha sua doação
Valor enviado será único.
Outros Valores +

Com quanto você pode ajudar hoje?

Sua contribuição é usada para impulsionar notícias e manter a equipe de redação.

Você quer se identificar ou doar anonimamente?

Caso você escolha se identificar, seus dados nos ajudam a saber quem realizou a doação e quem apoia esta causa.

Ambiente seguro e criptografado
Contribuição segura Pix VISA

Operação contra lavagem chega ao mercado financeiro e alcança grupo ligado ao dinheiro de “Dark Horse”

Operação Crédito Oculto investiga uma engenharia financeira envolvendo fundos, fintechs, empresas de fachada e uma distribuidora de combustíveis. Ex-diretor do Banco Genial e empresário cuja empresa aparece no fluxo de recursos destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro estão entre os alvos.
Uma investigação que começou no setor de combustíveis acaba de abrir uma nova frente no coração do mercado financeiro brasileiro.
Nesta quinta-feira, 24 de setembro, Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, polícias e órgãos estaduais deflagraram a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto.
O objetivo é investigar uma estrutura que, segundo as autoridades, teria sido montada para lavar dinheiro, esconder os verdadeiros donos de patrimônio e financiar a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.
E alguns dos caminhos financeiros investigados acabam chegando a personagens que aparecem também em outro caso que ganhou repercussão nacional: o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O dinheiro escondido atrás de fundos

A Receita Federal afirma ter encontrado indícios de uma sofisticada engenharia envolvendo banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, fintechs, empresas patrimoniais e empresas de fachada.
A investigação aponta que parte dessa estrutura teria sido usada para esconder quem realmente controlava uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo.
Um dos negócios analisados envolve aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina.
Segundo a Receita, os investigadores identificaram um fluxo financeiro que teria circulado entre empresas e fundos controlados pelo próprio grupo, criando aparência de uma operação legítima e dificultando a identificação dos beneficiários finais.
A mesma estrutura teria servido posteriormente para algo ainda maior: a compra da distribuidora Terrana, nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis.

Os R$ 100 milhões e a compra da distribuidora

Aqui aparece um dos pontos centrais da investigação.
Segundo a Receita e o Ministério Público, R$ 100 milhões teriam sido enviados pela organização investigada para uma usina sucroalcooleira.
O dinheiro teria passado, em poucos minutos, por diferentes contas e empresas antes de chegar à usina.
Depois, os recursos teriam sido aplicados no Fundo Radford.
A investigação descrita pela CNN afirma que o fundo aplicou aproximadamente R$ 100 milhões em certificados bancários emitidos pelo Banco Genial.
Na sequência, o banco teria concedido empréstimos por meio de Cédulas de Crédito Bancário a duas holdings recém-criadas, Berna e Branson, que teriam capital social de apenas R$ 1 mil.
Essas empresas, segundo os investigadores, utilizaram os recursos para participar da aquisição da Terrana e de ativos imobiliários.
A tese dos investigadores é particularmente relevante: o dinheiro apresentado formalmente como empréstimo bancário teria origem, na realidade, nos próprios recursos anteriormente aplicados pela organização investigada.
Ou seja, a operação teria criado camadas financeiras capazes de afastar, no papel, o dinheiro de seus verdadeiros beneficiários.

Onde entra o Banco Genial

Entre os alvos está Humberto Arthur Tupinambá Neto, que ocupou cargo de direção no Banco Genial.

Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10

Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram
Reportagens iniciais chegaram a identificá-lo como sócio da instituição. O próprio banco, entretanto, afirmou posteriormente que Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio desde maio de 2026.
Em nota, o Banco Genial declarou que forneceu informações sobre as operações envolvendo o Fundo Radford ao GAECO de São Paulo, realizou as comunicações previstas ao Coaf e afirma ter observado as normas existentes.
O banco informou também que abriu investigação interna, reviu procedimentos de governança, afastou Tupinambá dos processos decisórios e posteriormente o destituiu.
A instituição diz continuar colaborando com as autoridades.

E onde aparece “Dark Horse”?

É aqui que duas investigações que pareciam distantes começam a se cruzar.
Outro alvo da Crédito Oculto é o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e personagem também ligado às apurações envolvendo o Banco Master.
Segundo a investigação divulgada pela imprensa, a Entre teria feito um aporte de R$ 20 milhões em uma conta da usina envolvida no esquema. O dinheiro teria sido repassado no mesmo dia ao Fundo Radford.
A mesma Entre Investimentos aparece no caminho financeiro de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, destinados a “Dark Horse”.
Reportagens apontam que aproximadamente US$ 12,3 milhões foram repassados para o projeto do filme.
O próprio Flávio Bolsonaro já confirmou publicamente que um fundo de Vorcaro investiu pouco mais de US$ 12 milhões na produção e sustenta que se tratou de investimento privado legítimo em uma obra cinematográfica.
Isso não significa, por si só, que o dinheiro destinado ao filme tenha origem no esquema investigado na Crédito Oculto.
O que chama atenção é outra coisa: uma empresa que aparece no fluxo financeiro do financiamento de “Dark Horse” agora surge também dentro de uma investigação sobre estruturas supostamente utilizadas para lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Essa conexão é exatamente o tipo de ponto que precisa ser acompanhado conforme a investigação avance.

R$ 11,6 bilhões movimentados

Há ainda um número que mostra a dimensão financeira do caso.
A Receita Federal informou que uma empresa financeira utilizada nas operações investigadas movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Segundo o órgão, quando esse volume é analisado junto com os demais elementos coletados, ele reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e lavagem de capitais.
A investigação está em andamento.
Operação Crédito Oculto deixa uma questão relevante para as próximas etapas da apuração:
Até onde chegam as conexões entre o dinheiro movimentado por operadores do mercado financeiro, a chamada máfia dos combustíveis, o caso Banco Master e os milhões destinados à produção de “Dark Horse”?
A resposta pode transformar uma investigação que parecia restrita aos postos e distribuidoras de combustíveis em algo muito maior.
Estamos de olho!!!