O safári de Flávio Bolsonaro e os nomes dos bolsonaristas na planilha do bicheiro

As investigações recentes da Polícia Federal conectaram o grupo político ligado à família Bolsonaro a duas frentes distintas de polêmicas e investigações criminais

O safári de Flávio Bolsonaro e os nomes dos bolsonaristas na planilha do bicheiro
Planilha de bicheiro indica pagamento de R$ 10 mi para aliados da família Bolsonaro
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Flávio Bolsonaro foi fazer um safári na África do Sul com pessoas que aparecem em investigações sobre fraudes no INSS. No Rio de Janeiro, aliados do seu grupo político tiveram nomes associados a valores milionários em planilhas atribuídas a um bicheiro investigado pela Polícia Federal.
São casos diferentes. Mas, juntos, eles fazem uma pergunta incômoda ao candidato à Presidência: por que tanta gente sob suspeita circula tão perto dele?
Vamos aos fatos.
Em março de 2025, Flávio viajou à África do Sul com o senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz. Uma fotografia registrou os três ao lado do empresário Carlos Alberto de Sá. Segundo a revista piauí, eles participaram de um grupo de WhatsApp sobre a viagem e fizeram um safári. Weverton e Willer passaram a ser investigados no caso das fraudes do INSS. Já Carlos Alberto, sócio da VTCLog, teve seu indiciamento pedido pela CPI da Covid em 2021, por suspeitas envolvendo contratos com o Ministério da Saúde. Revista piauí.
Ninguém é culpado por aparecer numa fotografia. Mas Flávio também não pode tratar tudo como uma coincidência sem importância. Willer é apontado pela reportagem como amigo de longa data do senador. Weverton e o advogado eram seus companheiros de viagem. Quando a piauí perguntou a Flávio sobre essas relações, ele não respondeu. Os demais disseram que a viagem era privada e paga com recursos próprios.Revista piauí.
Agora olhem para o Rio de Janeiro.

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Uma investigação da PF encontrou planilhas atribuídas a Adilsinho, apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho e ligado ao comércio ilegal de cigarros. Conforme apuração do ICL Notícias, os registros associam mais de R$ 10 milhões a cinco aliados da família Bolsonaro: Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca. Os citados que se manifestaram negaram os pagamentos ou vínculos apontados. ICL Notícias.
Flávio não está entre os cinco nomes com valores destacados na reportagem. Mas apoiou politicamente Castro e Bacellar e, segundo a apuração, indicou Gutemberg para um cargo no governo fluminense. Essa é a responsabilidade política que precisa enfrentar: quem são as pessoas que ele ajuda a colocar perto do poder? ICL Notícias.
Investigar isso até o fim é indispensável. ICL Notícias.
Flávio pode dizer que não responde pelos atos de amigos e aliados. É verdade que amizade não é prova de crime. Mas quem pede o voto dos brasileiros para governar o país responde, sim, pelas alianças que escolhe construir. E deve explicações claras quando essas escolhas se repetem em histórias tão graves.
Conforme relatório da Polícia Federal, por muito pouco o Rio de Janeiro escapou de ter um candidato, Rodrigo Bacellar, diretamente ligado ao crime organizado, indicado por Flávio Bolsonaro. Os planos políticos mudaram drasticamente quando Bacellar foi preso e teve o mandato cassado.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que Bacellar participou ativamente da obstrução de operações policiais para proteger e vazar dados sigilosos ao Comando Vermelho (CV).