Uma reportagem publicada nesta terça-feira (29) pelo PlatôBR revelou mensagens, fotos e documentos que estavam em poder de Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e antigo amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). O material inclui conversas sobre encontros privados com garotas de programa, um Rolex avaliado em R$ 305 mil e uma suposta tentativa de intermediar interesses de um cliente junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
O conteúdo foi posteriormente repercutido pelo UOL, que informou ter procurado Flávio Bolsonaro, Alexandre Santini, o advogado Alan Belaciano e o gabinete de Kassio Nunes Marques, mas não havia obtido respostas até a atualização da reportagem.
Mensagens citam encontro com três mulheres
Entre os documentos apresentados pelo PlatôBR estão conversas de WhatsApp atribuídas a Santini. Segundo a publicação, o ex-sócio teria atuado na organização de encontros privados dos quais Flávio participaria.
Em uma das conversas, Santini fala com uma mulher que, segundo a reportagem, seria responsável por intermediar a contratação das garotas de programa. Ele menciona uma nova “festinha” semelhante a um encontro anterior realizado no Grand Hyatt, no Rio de Janeiro.
Na conversa, Santini pergunta se ela poderia “arrumar as meninas”. A interlocutora responde perguntando se seriam três mulheres. Em seguida, ele confirma a quantidade e afirma que o encontro deveria ser mantido em sigilo por causa do período eleitoral.
O material também indica que Santini se referia a Flávio como “meu filho” nas conversas. De acordo com o PlatôBR, além de Flávio e Santini, outros amigos participariam de alguns desses encontros.
A reportagem afirma ainda que havia fotografias relacionadas aos encontros, algumas das quais não foram publicadas. O Grand Hyatt, localizado na Barra da Tijuca, teria sido um dos locais utilizados pelo grupo.
Mensagem atribuída a Flávio fala em “escolhas erradas”
Outro elemento apresentado na reportagem é uma mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro enviada a Santini depois que o ex-sócio teria procurado Fernanda Bolsonaro, esposa do senador.
Na mensagem, Flávio afirma ter cometido “muitas escolhas erradas” e diz que não pretende repetir os erros com a família. O texto, porém, não especifica quais episódios estavam sendo mencionados, e o UOL ressalta essa limitação.
Conversa atribuída a Flávio Bolsonaro reúne pedido para que Alexandre Santini se afaste de Fernanda Bolsonaro e afirmações sobre “muitas escolhas erradas”. Na sequência, Santini questiona se a mensagem teria sido enviada à pessoa errada.
A conversa divulgada pelo PlatôBR mostra uma mensagem atribuída a Flávio na qual ele pede que Santini se afaste de Fernanda Bolsonaro. No texto, o remetente afirma que se arrependeu de “muitas escolhas” e diz que não pretende repetir os erros cometidos com a família.
Na sequência, Santini responde demonstrando surpresa e questiona Flávio sobre o conteúdo da mensagem, afirmando que acreditava que ela poderia ter sido enviada à pessoa errada. O material, por si só, não esclarece quais episódios específicos Flávio tinha em mente ao mencionar suas “escolhas erradas”.
Na conversa, o senador também pede que Santini se afaste de sua esposa e deixe de procurá-la. Santini, por sua vez, responde que acreditava que a mensagem havia sido enviada à pessoa errada.
O episódio teria ocorrido durante o conflito entre os dois antigos sócios, que se agravou após o fim da sociedade em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro.
Rolex de R$ 305 mil aparece entre os documentos
Além das mensagens relacionadas aos encontros privados, o material revelado pelo PlatôBR envolve um relógio de luxo.
Segundo documentos citados pelo UOL, trata-se de um Rolex Submariner Date de ouro branco, adquirido em fevereiro de 2022 por R$ 305 mil. A nota fiscal estaria em nome do advogado Alan Belaciano.
De acordo com a reportagem, mensagens analisadas pelo PlatôBR indicariam que o relógio teria sido comprado para Flávio Bolsonaro.
O caso, entretanto, já havia sido objeto de explicação pública do senador. À época, Flávio afirmou que o relógio havia sido comprado por um amigo como um “empréstimo pessoal” e que o valor seria quitado.
O material também aponta outras despesas que, segundo a reportagem, teriam sido custeadas por pessoas próximas ao senador. Entre elas estão mais de R$ 90 mil em equipamentos de academia instalados na residência de Flávio em Brasília, além de uma televisão de 75 polegadas, reparos na casa e mensalidades de academia.
Relação com ex-sócio terminou em disputa de R$ 1,47 milhão
As revelações precisam ser analisadas dentro do contexto da relação entre Flávio Bolsonaro e Alexandre Santini.
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Os dois foram sócios de uma franquia da Kopenhagen localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A sociedade terminou após um conflito financeiro.
Em 2023, Santini recorreu à Justiça para cobrar aproximadamente R$ 1,47 milhão de Flávio. Segundo o UOL, o ex-sócio alegava divisão desigual de lucros e despesas da empresa que teriam sido pagas por ele e não reembolsadas. Flávio negou possuir a dívida apontada pelo antigo sócio.
Foi durante essa disputa que Santini teria reunido e apresentado a diferentes pessoas parte das mensagens, fotos e documentos relacionados à vida privada de Flávio.
Mensagem enviada a Fernanda Bolsonaro menciona uma negociação conduzida por advogados e cita o advogado Willer Tomaz. Fernanda responde que estava “totalmente por fora desse assunto” e orienta que a questão fosse tratada com os advogados.
O PlatôBR afirma que o ex-sócio procurou Fernanda Bolsonaro para apresentar informações sobre os encontros privados. Segundo a publicação, o episódio provocou uma crise no casamento do senador.
Suposta interlocução com Kassio Nunes Marques
Outro capítulo da reportagem envolve o ministro Kassio Nunes Marques, do STF.
Segundo mensagens apresentadas por Santini, o ex-sócio afirmou a Flávio que sabia de uma conversa do senador com o ministro para tratar dos interesses de um cliente.
O UOL informa, porém, que a reportagem não identificou o cliente ou o processo mencionado e não apresentou comprovação independente de que a suposta intermediação tenha ocorrido.
De acordo com o material, o caso estaria relacionado ao advogado Alan Belaciano. Santini também teria mencionado a possibilidade de um jantar envolvendo o chefe de gabinete de Kassio Nunes Marques.
Depois de receber a mensagem, Flávio teria marcado uma reunião com Santini em seu gabinete. Não há, segundo o UOL, informação sobre o que foi discutido nesse encontro.
O que está comprovado e o que é alegação
As informações divulgadas nesta terça-feira envolvem diferentes níveis de comprovação.
Há documentos e mensagens apresentados pelo ex-sócio, incluindo conversas de WhatsApp e uma nota fiscal referente ao Rolex. A existência desses registros foi relatada pelo PlatôBR e pelo UOL.
Já as interpretações sobre o significado das mensagens, a participação de Flávio nos encontros e a finalidade de determinadas despesas dependem do contexto apresentado pelas reportagens e das alegações de Santini.
No caso da suposta interlocução com Kassio Nunes Marques, por exemplo, o próprio UOL destaca que não identificou o processo ou o cliente e que não havia comprovação independente da alegada intermediação.
Também é importante destacar que a mensagem atribuída a Flávio na qual ele fala em “escolhas erradas” não especifica quais acontecimentos motivaram o pedido de desculpas. Portanto, não é possível concluir apenas pelo texto que ele estivesse necessariamente se referindo aos encontros descritos nas mensagens.
Campanha de Flávio ainda não havia respondido
O UOL informou que procurou Flávio Bolsonaro e sua campanha para obter posicionamento sobre as informações publicadas. Também tentou contato com Alexandre Santini, Alan Belaciano e o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques.
Até a atualização publicada pelo UOL, não havia resposta dos envolvidos.
As revelações ocorrem em um momento particularmente sensível para Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência da República nas eleições de 2026.
O episódio acrescenta novos elementos à disputa envolvendo o senador e seu antigo sócio, cuja relação passou de amizade e sociedade empresarial para um conflito judicial acompanhado de acusações e divulgação de material privado.
Por enquanto, os documentos divulgados sustentam a existência das mensagens e registros apresentados pelas reportagens, mas as alegações sobre determinadas condutas e a interpretação completa do conteúdo ainda dependem do esclarecimento dos envolvidos e de eventual comprovação independente.