Bets geram prejuízo anual de quase R$ 40 bilhões e se expandiram no governo Bolsonaro

Estudo estima que as apostas online geram prejuízo anual de R$ 38,8 bilhões ao Brasil e teve forte expansão entre 2019 e 2022.

Bets geram prejuízo anual de quase R$ 40 bilhões e se expandiram no governo Bolsonaro
Em 2025 estimou que os jogos de azar e as apostas online geram um custo anual de aproximadamente R$ 38,8 bilhões para a sociedade brasileira.
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O mercado de apostas esportivas online, conhecido popularmente como "bets", passou por uma forte expansão no Brasil entre 2019 e 2022, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro. Embora a modalidade tenha sido autorizada pela Lei nº 13.756, sancionada em 2018, no governo Michel Temer, a regulamentação do setor demorou a ser implementada, permitindo que centenas de empresas operassem no país por anos em um ambiente de fiscalização limitada.
Nesse período, as plataformas ampliaram sua presença por meio de patrocínios a clubes de futebol, campeonatos, emissoras de televisão, influenciadores digitais e campanhas publicitárias de grande alcance, tornando as apostas online parte do cotidiano de milhões de brasileiros.
Os impactos econômicos e sociais desse crescimento começaram a ser mensurados por estudos divulgados nos anos seguintes. Um levantamento publicado em 2025 estimou que os jogos de azar e as apostas online geram um custo anual de aproximadamente R$ 38,8 bilhões para a sociedade brasileira.

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O cálculo considera fatores como perda de produtividade no trabalho, afastamentos por problemas relacionados ao vício em jogos, aumento da demanda por serviços de saúde mental, redução da renda disponível das famílias, endividamento, além de outros efeitos econômicos indiretos. O estudo aponta que os prejuízos extrapolam as perdas individuais dos apostadores e afetam diferentes setores da economia.
Pesquisas de instituições públicas e privadas também mostram o impacto financeiro sobre os consumidores. Levantamento do Procon-SP identificou que cerca de 40% dos apostadores entrevistados afirmaram ter contraído dívidas após começarem a utilizar plataformas de apostas online. Outra pesquisa nacional realizada pelo PoderData encontrou resultado semelhante, indicando que aproximadamente 35% dos apostadores declararam ter se endividado em razão das bets. Além disso, pesquisas do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontaram que milhões de brasileiros realizaram apostas no período analisado, e uma parcela significativa afirmou ter comprometido parte da renda com essa atividade.
O crescimento acelerado do setor também despertou preocupação de órgãos públicos e autoridades monetárias. Estudos divulgados pelo Banco Central mostraram que bilhões de reais são movimentados mensalmente por meio de transferências via Pix destinadas às plataformas de apostas. Relatórios técnicos e debates promovidos por órgãos do governo passaram a discutir os efeitos das bets sobre o orçamento das famílias, especialmente entre pessoas de menor renda. O tema ganhou destaque no Congresso Nacional, em órgãos de defesa do consumidor e em instituições de saúde, diante do aumento dos relatos de endividamento e de comportamentos associados ao jogo compulsivo.
Nos últimos anos, o governo federal implementou regras para regulamentar o mercado de apostas de quota fixa, estabelecendo exigências para autorização de funcionamento, tributação, mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, políticas de jogo responsável e restrições à publicidade. Especialistas avaliam que a regulamentação representa um avanço em relação ao cenário anterior, mas defendem que o monitoramento contínuo, a fiscalização efetiva e campanhas de conscientização são essenciais para reduzir os impactos sociais e econômicos associados às apostas online, cuja expansão transformou o setor em um dos maiores mercados digitais do país.