Haddad apresenta perícia e prova que realmente foi perseguido pela PM de Tarcísio

Novas imagens mostram viatura próxima ao veículo do motorista do candidato; Ministério Público Eleitoral considerou “inverossímil” explicação apresentada pelo governo paulista

Haddad apresenta perícia e prova que realmente foi perseguido pela PM de Tarcísio
Fernando Haddad em palestra na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo. FOTO: Reprodução
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O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) apresentou novas imagens e uma perícia para contestar a versão do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre o episódio envolvendo seu motorista e policiais militares na capital paulista.
A controvérsia começou após Haddad denunciar que seu motorista, Alessandro Caseri, teria sido seguido e intimidado por policiais militares depois de deixá-lo em casa, em 11 de agosto.
Na ocasião, o governo paulista e a Polícia Militar contestaram a denúncia. Tarcísio chegou a afirmar publicamente que a análise das imagens disponíveis demonstrava que “não houve absolutamente nada”.
Agora, novos registros apresentados pela campanha de Haddad colocam novamente em discussão a versão apresentada pelas autoridades estaduais.

Vídeo mostra viatura próxima ao motorista

Segundo a perícia contratada pela campanha petista, imagens de câmeras de segurança registram uma viatura da Polícia Militar permanecendo durante aproximadamente 20 minutos nas proximidades do Hotel Pullman, onde estava o veículo conduzido pelo motorista de Haddad.
A análise sustenta ainda que a viatura teria permanecido em uma região fora do enquadramento das imagens utilizadas anteriormente pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo para contestar o relato.
Os registros também mostram movimentação de um policial nas proximidades.
A defesa de Haddad sustenta que as novas imagens reforçam o relato apresentado pelo motorista.

Haddad contesta Tarcísio

Haddad afirmou que as novas evidências contradizem a conclusão apresentada anteriormente pelo governador.
A gestão Tarcísio havia divulgado imagens e informado que dezenas de câmeras foram analisadas sem que fossem encontrados indícios de uma abordagem irregular.
O governador também afirmou em agosto que não havia ocorrido perseguição ou contato entre policiais e o motorista.
A nova perícia, entretanto, sustenta que parte relevante da movimentação policial ocorreu fora do campo de visão das câmeras utilizadas naquela análise.

MP considera versão do governo “inverossímil”

Outro elemento importante surgiu na manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo.
O Ministério Público Eleitoral decidiu arquivar a denúncia no âmbito eleitoral por não encontrar elementos suficientes para caracterizar abuso de poder político ou crime eleitoral envolvendo diretamente Tarcísio.

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Isso, porém, não significou uma validação integral da explicação apresentada pelo governo.
O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt classificou como “inverossímil” a hipótese de que toda a movimentação policial relatada pudesse ser explicada simplesmente como coincidência decorrente de patrulhamento de rotina.
O caso relacionado à conduta dos policiais foi encaminhado para avaliação do Ministério Público de São Paulo.

Três viaturas teriam passado pelo local

Segundo a campanha de Haddad, a análise completa das imagens identificou a presença de três viaturas relacionadas à sequência de acontecimentos.
O advogado Thiago Rocha, que representa Haddad, afirma que policiais chegaram a ordenar que o motorista deixasse determinado local.
Essa versão continua sendo objeto de apuração e é contestada pelas autoridades de segurança estaduais.
A Polícia Militar havia informado anteriormente que as imagens analisadas não apresentavam indícios de uma abordagem como aquela descrita pelo motorista.

Caso ainda não está encerrado

Embora a vertente eleitoral tenha sido arquivada, o episódio não está completamente encerrado.
O Ministério Público Eleitoral entendeu que não havia elementos suficientes para responsabilizar Tarcísio eleitoralmente, mas levantou dúvidas sobre a justificativa apresentada para a presença das viaturas e encaminhou a questão policial para análise do Ministério Público estadual.
O caso também segue relacionado a investigações policiais sobre o que efetivamente aconteceu naquela noite.
As novas imagens apresentadas por Haddad passam, portanto, a integrar uma disputa entre duas versões.
De um lado, o governo paulista afirma que não houve perseguição.
Do outro, Haddad sustenta que a movimentação registrada pelas câmeras e analisada por perícia reforça o relato de seu motorista.
A conclusão definitiva dependerá da análise das autoridades responsáveis pelas investigações.