Caiado defende anistia, propõe polícia sul-americana e promete rever reformas
Em entrevista à TV Globo, Ronaldo Caiado defendeu anistia aos condenados pelos atos de janeiro de 2023, propôs a criação de uma polícia sul-americana e falou sobre Previdência e reforma tributária.
O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou algumas das principais propostas de sua campanha durante entrevista à TV Globo nesta terça-feira (25).
Entre os temas abordados, Caiado defendeu a concessão de anistia aos condenados por crimes relacionados aos atos de janeiro de 2023, propôs a criação de uma força policial integrada entre países da América do Sul e afirmou que pretende promover mudanças nas áreas tributária e previdenciária.
Segundo o candidato, caso seja eleito, seu governo enviará ao Congresso Nacional um projeto para conceder anistia às pessoas condenadas por crimes relacionados aos episódios de janeiro de 2023.
Caiado afirmou que a medida teria como objetivo reduzir a polarização política e promover uma pacificação nacional.
Ao defender a proposta, o candidato fez uma comparação com a situação judicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, os casos são juridicamente diferentes: as condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal após decisões sobre a competência da Justiça que conduziu os processos, e não por meio de anistia.
Caiado propõe criação de uma polícia da América do Sul
Outro ponto de destaque apresentado pelo candidato foi a criação da chamada Sulpol, uma força policial integrada por diferentes países sul-americanos.
A proposta seria inspirada no modelo da Europol, que promove cooperação policial entre países europeus.
Segundo Caiado, integrantes da nova força poderiam participar de operações em diferentes territórios nacionais quando as investigações envolvessem crimes como tráfico de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro.
O candidato afirmou que a integração permitiria ampliar o combate ao crime organizado que atua além das fronteiras nacionais.
Caiado também criticou a situação da segurança pública no país e declarou que o Brasil se tornou um ambiente favorável à atuação do narcotráfico.
Candidato rejeita ação direta dos Estados Unidos no Brasil
Durante a entrevista, Caiado também foi questionado sobre a possibilidade de operações dos Estados Unidos em território brasileiro no combate ao narcotráfico.
O candidato afirmou que não vê necessidade de autorizar esse tipo de atuação.
Segundo ele, uma força regional composta pelos próprios países sul-americanos teria condições de realizar operações conjuntas contra organizações criminosas sem depender da atuação direta de forças norte-americanas.
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Reforma tributária poderá ser revista
Caiado também afirmou que pretende “revisitar” a reforma tributária brasileira.
Segundo o candidato, alguns pontos do atual modelo precisam ser reavaliados, especialmente aqueles que afetam trabalhadores autônomos e microempreendedores.
Ele criticou a projeção de uma alíquota próxima de 28% para o novo Imposto sobre Valor Agregado e também questionou a criação do Imposto Seletivo, que poderá incidir sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
O candidato também criticou a forma como a reforma foi aprovada pelo Congresso e questionou o uso de emendas parlamentares durante as negociações políticas.
Caiado promete nova discussão sobre a Previdência
Na área previdenciária, Caiado afirmou que pretende reunir especialistas para avaliar a sustentabilidade do sistema brasileiro.
O candidato, porém, não respondeu diretamente se pretende aumentar ou reduzir a idade mínima para aposentadoria.
Segundo ele, uma eventual reforma deverá ser construída após discussões com especialistas e análises sobre a capacidade financeira do sistema previdenciário.
Questionado novamente sobre mudanças específicas, Caiado evitou apresentar detalhes sobre possíveis alterações.
Caiado aparece em terceiro lugar
Ronaldo Caiado foi governador de Goiás por dois mandatos e também já exerceu os cargos de deputado federal e senador.
O candidato se apresenta como representante da direita e tem a segurança pública como uma das principais bandeiras de sua campanha.
Segundo o agregador de pesquisas citado pela BBC News Brasil, Caiado aparece atualmente com cerca de 5% das intenções de voto, ocupando o terceiro lugar entre os principais candidatos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com aproximadamente 40%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%.
A candidatura de Caiado busca se posicionar como uma alternativa dentro do campo da direita, tentando combinar o discurso de enfrentamento ao crime organizado, críticas ao governo federal e propostas de revisão de políticas econômicas e sociais.