Flávio pausa campanha para tentar barrar PEC do fim da escala 6x1
Candidato do PL interrompe agendas eleitorais para permanecer em Brasília e articular contra texto que reduz jornada para 40 horas e garante dois dias de descanso sem redução salarial
Em vez de cumprir normalmente os compromissos eleitorais previstos fora de Brasília, Flávio decidiu acompanhar as negociações no Congresso e participar das articulações conduzidas pela oposição. Foto: Charles Vieira/Flickr
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O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu interromper agendas de sua campanha eleitoral nesta terça-feira (1º) para permanecer em Brasília e participar das articulações contra o avanço da PEC que acaba com a atual escala de trabalho 6x1.
A movimentação ocorre às vésperas de uma votação considerada decisiva no Senado. A PEC 221/2019 está prevista como o primeiro item da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira, 2 de setembro, a partir das 9h.
Segundo informações publicadas pelo UOL, Flávio pretende atuar politicamente para impedir o avanço do texto defendido pelo governo Lula e, paralelamente, impulsionar uma proposta alternativa elaborada por aliados de sua campanha.
Flávio deixa campanha para acompanhar articulação no Senado
A decisão coloca uma das principais pautas trabalhistas em discussão no país diretamente no centro da disputa presidencial.
Em vez de cumprir normalmente os compromissos eleitorais previstos fora de Brasília, Flávio decidiu acompanhar as negociações no Congresso e participar das articulações conduzidas pela oposição.
Reportagens publicadas nesta terça-feira apontam que o candidato suspendeu compromissos de campanha para permanecer na capital federal justamente durante a semana em que a proposta do fim da escala 6x1 pode avançar no Senado.
A movimentação também ocorre durante o último esforço concentrado do Senado antes das eleições de outubro.
O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já havia indicado que propostas consideradas prioritárias seriam analisadas durante a semana de 31 de agosto a 4 de setembro.
O que muda com a PEC do fim da escala 6x1
A PEC 221/2019 já passou pela Câmara dos Deputados e chegou ao Senado no fim de maio.
O texto estabelece a redução da jornada máxima semanal de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas e garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.
Na prática, a mudança busca impedir que a regra geral continue permitindo uma rotina de seis dias trabalhados para apenas um dia de descanso.
A proposta estabelece ainda um período de transição para adaptação da jornada.
Segundo o texto aprovado pela Câmara, a carga horária seria inicialmente reduzida de 44 para 42 horas e, posteriormente, chegaria às 40 horas semanais.
Relator apresentou parecer favorável
Na CCJ do Senado, a proposta está sob relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM).
Aziz apresentou parecer favorável à PEC nos termos aprovados pela Câmara e rejeitou inicialmente as emendas apresentadas para modificar o texto.
O sistema oficial do Senado registra que o relatório é favorável à PEC 221/2019 e que a matéria está pronta para análise da comissão.
Novas emendas foram apresentadas posteriormente e ainda precisam ser examinadas pelo relator.
A reunião desta quarta-feira será, portanto, um dos momentos mais importantes da tramitação da proposta até agora.
Caso seja aprovada na CCJ, a PEC ainda terá de seguir para o Plenário do Senado, onde uma mudança constitucional exige aprovação em dois turnos e o apoio de pelo menos três quintos dos senadores.
Flávio defende proposta diferente
Flávio Bolsonaro não está defendendo simplesmente que o modelo atual permaneça exatamente como está.
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O candidato apoia uma proposta alternativa articulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial.
A ideia defendida por Flávio é ampliar a possibilidade de contratação e remuneração com base na quantidade de horas efetivamente trabalhadas.
Durante entrevista à Record, Flávio afirmou defender maior liberdade para que o próprio trabalhador escolha quantas horas deseja trabalhar.
Segundo o candidato, uma pessoa que não tenha disponibilidade para uma jornada completa poderia trabalhar, por exemplo, quatro horas e receber proporcionalmente por esse período.
Flávio apresenta o modelo como uma forma de flexibilizar as relações de trabalho e ampliar as possibilidades de contratação.
A proposta se diferencia da PEC 221/2019 porque o texto aprovado pela Câmara estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais com dois dias de descanso e sem redução salarial.
Candidato evita cravar voto sobre texto
Apesar de atuar contra o formato atual da PEC e defender uma alternativa, Flávio já evitou declarar diretamente qual será seu voto quando questionado sobre a proposta.
Sua atuação política está direcionada à construção de um texto diferente daquele apoiado pelo governo Lula e já aprovado pelos deputados.
Por isso, tecnicamente, Flávio atua contra a aprovação da PEC 221/2019 no formato atual, enquanto tenta colocar sua própria proposta de flexibilização da jornada no centro das negociações.
Fim da 6x1 virou uma das principais pautas do governo Lula
A aprovação do fim da escala 6x1 tornou-se também uma prioridade política do governo federal.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), já classificou o avanço da proposta como prioridade, enquanto parlamentares governistas passaram a defender que o Senado conclua a votação ainda durante o período eleitoral.
O próprio Davi Alcolumbre colocou a discussão entre as prioridades do esforço concentrado do Congresso após reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças da Câmara e do Senado.
A pauta também ganhou destaque na campanha presidencial.
Enquanto Lula e aliados defendem a redução da jornada semanal sem corte de salários, Flávio tenta apresentar sua proposta por hora trabalhada como alternativa ao texto em votação.
Disputa acontece no meio da campanha presidencial
A decisão de Flávio de deixar temporariamente a campanha nas ruas para se concentrar no Senado demonstra o peso político que a pauta ganhou às vésperas das eleições.
O candidato do PL está diretamente envolvido nas negociações para evitar que a PEC avance da maneira como foi aprovada pela Câmara, enquanto o governo busca concluir a votação de uma das medidas trabalhistas mais populares de sua agenda.
A preocupação dentro da oposição também passa pelo impacto eleitoral que a aprovação da proposta poderia gerar durante a campanha presidencial. Segundo o UOL, aliados de Flávio enxergam risco de que Lula utilize a aprovação do fim da 6x1 como uma das principais conquistas apresentadas aos trabalhadores durante a reta final da eleição.
Agora, a primeira disputa acontece na CCJ nesta quarta-feira (2).
O fim da escala 6x1 é o primeiro item da pauta da comissão. O texto conta com parecer favorável de Omar Aziz e prevê jornada máxima de 40 horas, dois dias de descanso por semana e manutenção dos salários.
A oposição ainda poderá tentar modificar o texto, adiar sua análise ou buscar apoio para a proposta alternativa defendida por Flávio e Rogério Marinho.
O resultado da votação poderá definir se a PEC seguirá avançando para uma decisão do Plenário do Senado ainda durante a campanha eleitoral.