Augusto Cury admite libertar Bolsonaro e diz que convidaria Tarcísio para ser primeiro-ministro
Candidato do Avante afirmou que poderia conceder perdão a Jair Bolsonaro após análise jurídica e declarou que convidaria Tarcísio de Freitas para ser primeiro-ministro
O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) passou a defender duas propostas que aproximam seu discurso de importantes nomes da direita: a possibilidade de conceder perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a intenção de convidar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para ocupar o posto de primeiro-ministro caso consiga implementar o semipresidencialismo no Brasil.
As duas declarações foram dadas em momentos diferentes da campanha e possuem ressalvas importantes. No caso de Bolsonaro, Cury não prometeu uma libertação automática. Já em relação a Tarcísio, o candidato afirmou de maneira direta que o governador paulista está em seu radar para comandar o governo em um eventual novo sistema político.
Em entrevista à CNN Brasil em 28 de abril, quando ainda era pré-candidato, Cury afirmou que analisaria especificamente a situação de Jair Bolsonaro. Segundo ele, caso uma equipe concluísse que o ex-presidente não havia cometido crimes suficientes para permanecer preso, “provavelmente” o libertaria. Cury também afirmou que não possuía, naquele momento, todos os elementos necessários para tomar uma decisão definitiva.
A posição voltou a ser abordada meses depois. Durante sabatina do SBT, em 18 de agosto, Cury adotou um discurso mais cauteloso e disse que pretende reunir um grupo de juristas para avaliar os acontecimentos relacionados ao 8 de Janeiro e as respectivas condenações antes de decidir sobre eventual perdão presidencial.
O candidato afirmou considerar desproporcionais algumas das penas impostas aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, mas condicionou qualquer medida presidencial a uma análise jurídica dos casos.
Tarcísio como primeiro-ministro
A declaração envolvendo Tarcísio de Freitas foi mais direta. Durante a convenção nacional do Avante, realizada em 3 de agosto na Assembleia Legislativa de São Paulo, Cury defendeu a substituição do atual presidencialismo por um modelo semipresidencialista.
Nesse sistema, segundo a proposta apresentada pelo candidato, o presidente ficaria concentrado em questões estratégicas de Estado, enquanto um primeiro-ministro seria responsável pela administração cotidiana do governo.
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Cury afirmou que Tarcísio seria um dos nomes escolhidos por ele para exercer essa função.
“Um primeiro-ministro que está no meu radar […] se chama Tarcísio de Freitas.”
A declaração ocorreu justamente em um evento que contou com a presença do governador paulista. Tarcísio desejou boa sorte a Cury na disputa presidencial, mas não anunciou que aceitaria integrar eventual governo do candidato do Avante.
Mudança dependeria do Congresso
Por isso, uma eventual eleição de Augusto Cury não permitiria que ele simplesmente nomeasse Tarcísio primeiro-ministro. Antes, seria necessária uma mudança constitucional para estabelecer o modelo defendido pelo candidato.
Cury voltou a defender o semipresidencialismo durante sua sabatina no SBT, realizada em 18 de agosto. Segundo ele, a alteração serviria para dividir responsabilidades entre Executivo e Legislativo e modificar a forma como o país é administrado.
Declarações colocam Cury mais perto de pautas da direita
As manifestações acontecem enquanto Cury tenta ampliar sua presença na disputa presidencial de 2026. Oficializado pelo Avante em agosto, o escritor e psiquiatra busca se apresentar como alternativa à polarização entre Lula e o campo bolsonarista.
As pesquisas mais recentes ainda mostram o candidato distante dos dois primeiros colocados. Levantamentos divulgados nesta semana registraram Cury entre 2% e 4% das intenções de voto, dependendo do instituto e do cenário pesquisado.
As declarações sobre Bolsonaro e Tarcísio, porém, colocam temas importantes para o eleitorado de direita dentro da campanha do candidato do Avante.