Flávio negou Vorcaro. Agora tenta negar Sicário

Áudios, mensagens, encontros e uma fotografia revelam que a relação de Flávio Bolsonaro com o núcleo do Banco Master era muito mais próxima do que ele dizia

Flávio negou Vorcaro. Agora tenta negar Sicário
Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Sicário, capanga de Daniel Vorcaro
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Flávio Bolsonaro negou qualquer ligação relevante com Daniel Vorcaro e tentou manter o escândalo do Banco Master longe de sua campanha presidencial.
Os áudios apareceram e desmentiram essa versão.
Agora, uma fotografia mostra Flávio ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como operador do núcleo de intimidação ligado a Vorcaro.
Diante da nova revelação, Flávio repetiu o método usado no caso do banqueiro: primeiro relativizou, depois negou.
A ligação que Flávio dizia não existir
Antes da divulgação das mensagens, Flávio afirmava que o escândalo do Banco Master estava longe da direita. Quando foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, respondeu que a informação era mentira.
Não era.
Mensagens, áudios e documentos obtidos pelo Intercept revelaram que Flávio negociou diretamente com Daniel Vorcaro um aporte previsto de aproximadamente R$ 134 milhões para o filme.
Segundo os documentos analisados pela reportagem, cerca de R$ 61 milhões chegaram a ser transferidos em seis operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025.
Não se tratava de uma conversa ocasional.
As mensagens mostram cobranças de Flávio, negociações sobre contratos, pedidos para liberar pagamentos e demonstrações explícitas de proximidade pessoal.
Em novembro de 2025, Flávio escreveu para Vorcaro:

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”

Essa não é a linguagem de alguém que não tinha relação com o banqueiro.
Flávio também admitiu que visitou Vorcaro depois que o dono do Banco Master havia sido preso e liberado usando tornozeleira eletrônica. O senador disse que foi ao encontro para encerrar as negociações do filme.
Portanto, o que começou como uma negativa terminou com a confirmação de mensagens, cobranças, dinheiro e encontros presenciais. Os documentos foram publicados pelo Intercept.
A fotografia com Sicário
Quando a relação com Vorcaro já não podia mais ser escondida, surgiu uma nova revelação.
O ICL Notícias publicou uma fotografia em que Flávio aparece sem camisa, usando óculos escuros, ao lado de Luiz Phillipi Mourão. Sicário também está sem camisa e faz com a mão um gesto imitando uma arma.
Segundo a fonte que entregou o material ao portal, a imagem teria sido registrada em 2022, em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro. O contexto exato do encontro ainda não foi esclarecido.
O ICL e o Centro Latino-Americano de Investigación Periodística submeteram a imagem a cinco ferramentas de detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial. Também utilizaram o sistema InVID para procurar sinais de montagem ou manipulação.
Nenhuma das verificações encontrou indícios de que a fotografia tivesse sido criada por inteligência artificial ou resultasse de uma montagem. Essas ferramentas não substituem uma perícia definitiva, mas enfraquecem a acusação de Flávio de que a imagem seria artificial. Confira a análise publicada pelo ICL.
Flávio apresentou duas explicações
A primeira reação de Flávio não foi afirmar categoricamente que a fotografia era falsa.

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O senador declarou que não sabia se a imagem era verdadeira. Acrescentou que, se fosse real, provavelmente seria apenas mais uma das inúmeras fotografias que tira com pessoas que o abordam.
Depois, mudou a versão.
Durante uma transmissão, afirmou que a imagem havia sido manipulada por inteligência artificial. Como suposta prova, disse que Sicário aparecia com um “dedo mindinho de 20 centímetros”.
A contradição é evidente.
Primeiro, a fotografia poderia ser verdadeira, mas sem importância. Depois, passou a ser uma montagem.
Dirigentes do próprio PL confirmaram que já conheciam a imagem havia mais de um mês. Segundo o Metrópoles, um dos integrantes do partido chegou a questionar Flávio, que teria dado justamente a explicação de que costumava tirar fotos com muitas pessoas. Valdemar Costa Neto confirmou que conhecia a imagem.
Se Flávio já tratava a fotografia como um registro aleatório antes da publicação, por que depois passou a afirmar que ela foi criada por inteligência artificial?
Quem era Sicário
Luiz Phillipi Mourão não era um funcionário qualquer de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal o identificou como operador central de um grupo denominado “A Turma”. Segundo a investigação, Sicário coordenava atividades de monitoramento, obtenção de informações e levantamento de dados sobre pessoas consideradas adversárias dos interesses de Vorcaro.
Os investigadores também encontraram conversas sobre uma possível ação para intimidar o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, além de ameaças e agressões contra outros desafetos.
Sicário foi preso em março de 2026. Tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal, foi levado ao hospital e morreu dois dias depois. A investigação posterior concluiu que houve suicídio sem interferência externa. A conclusão da PF foi noticiada pela Folha.
A fotografia não está isolada
Uma fotografia, sozinha, não comprova amizade, participação em crimes ou conhecimento das atividades investigadas pela Polícia Federal.
Mas essa imagem não apareceu isoladamente.
Ela surgiu depois da revelação de mensagens diretas entre Flávio e Vorcaro, de uma negociação milionária, de pagamentos para o filme da família Bolsonaro e da confirmação de encontros presenciais, inclusive depois da prisão do banqueiro.
O problema político não é apenas Flávio ter aparecido ao lado de Sicário.
O problema é que, sempre que surge uma nova prova de proximidade com o grupo de Vorcaro, Flávio apresenta uma explicação diferente.
Negou a ligação com o banqueiro. Os áudios desmentiram.
Negou o dinheiro. Os comprovantes apareceram.
Omitiu o encontro depois da prisão. Mais tarde, admitiu a visita.
Disse que a fotografia com Sicário poderia ser verdadeira e aleatória. Depois afirmou que era inteligência artificial.
Flávio Bolsonaro ainda precisa responder onde conheceu Sicário, em que circunstâncias a fotografia foi tirada e por que mudou sua versão sobre a imagem.
Até agora, cada negativa de Flávio não encerrou o caso.
Abriu caminho para uma nova revelação. Estamos no aguardo dos próximos capítulos.