Operação da Polícia Federal chega a Dark Horse

Operação da Polícia Federal coloca Mario Frias e a produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro no centro de uma investigação sobre emendas parlamentares, dinheiro público e movimentações irregulares

Operação da Polícia Federal chega a Dark Horse
Caso Dark Horse: operação da PF investiga envio de R$ 2 milhões em emendas para produtora de filme do ex-presidente
Leia e depois continue
Total Colaboração R$ 10,00

Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10

Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram
Contribuição Segura via Pix
Escolha sua doação
Valor enviado será único.
Outros Valores +

Com quanto você pode ajudar hoje?

Sua contribuição é usada para impulsionar notícias e manter a equipe de redação.

Você quer se identificar ou doar anonimamente?

Caso você escolha se identificar, seus dados nos ajudam a saber quem realizou a doação e quem apoia esta causa.

Ambiente seguro e criptografado
Contribuição segura Pix VISA
A direita passou anos dizendo que defendia o dinheiro público. Agora, uma operação da Polícia Federal investiga se recursos destinados à população foram desviados por uma estrutura ligada à produção de um filme para transformar Jair Bolsonaro em herói.
Nesta quinta-feira, 10 de setembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, com apoio da Controladoria-Geral da União. Foram autorizados 49 mandados de busca e apreensão contra 29 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, e Karina Gama, produtora de “Dark Horse”, filme que pretende contar a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também foram realizadas buscas em endereços relacionados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades ligadas à produtora.
Não houve mandados de prisão. A operação busca documentos, equipamentos e outros elementos capazes de esclarecer o destino do dinheiro. Ser alvo de busca não significa condenação, mas a dimensão da ação mostra que as suspeitas estão longe de ser irrelevantes.

Emenda para projeto que não saiu do papel

Mario Frias destinou uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão ao Instituto Conhecer Brasil. Oficialmente, o dinheiro seria usado em um programa de empreendedorismo no interior de São Paulo.
O problema é que, de acordo com a apuração divulgada pelo UOL, o projeto ainda não saiu do papel.
A Polícia Federal investiga se recursos públicos enviados por meio de termos de fomento foram direcionados irregularmente para empresas subcontratadas, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Segundo a PF, a organização investigada seria formada por agentes públicos e privados. As tentativas de esconder os possíveis desvios teriam continuado até julho de 2026.
Os crimes sob investigação incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Levantamentos financeiros também identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que fariam parte do esquema investigado.
É dinheiro demais circulando em torno de projetos que, em alguns casos, sequer foram entregues.

O dinheiro que deveria atender a população

Outra frente da investigação envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil.
O contrato previa a instalação de internet gratuita em comunidades carentes. A suspeita investigada é de que parte desses recursos possa ter sido desviada e usada para financiar a equipe de “Dark Horse”.
Dinheiro que deveria garantir acesso à internet para famílias pobres pode ter servido para bancar uma produção cinematográfica dedicada a promover a imagem de Jair Bolsonaro.
Esse é exatamente o tipo de mecanismo que precisa ser exposto: o recurso recebe uma finalidade social no papel, passa por entidades privadas, é repassado a empresas subcontratadas e pode terminar em um projeto completamente diferente daquele apresentado ao poder público.
A produtora Karina Gama afirma que os recursos foram aplicados corretamente. Mario Frias também já negou irregularidades. Cabe à investigação reunir as provas e individualizar a responsabilidade de cada envolvido.
Mas a direita não pode exigir silêncio apenas porque a apuração chegou ao entorno de Bolsonaro.

Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10

Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram

Duas investigações, o mesmo filme

Existem duas investigações diferentes relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.
A primeira, relatada pelo ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, concentra-se no possível uso irregular de emendas parlamentares e de outros recursos públicos destinados a entidades ligadas à produtora do filme.
Foi nessa investigação que Dino autorizou os 49 mandados cumpridos pela Polícia Federal. O caso chegou ao STF após representação da deputada federal Tabata Amaral e incorporou elementos de uma apuração que tramitava em São Paulo.
A segunda investigação está sob a relatoria do ministro André Mendonça. Nela, a Polícia Federal apura os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme e o caminho percorrido pelo dinheiro.
Áudios revelados anteriormente mostram Flávio Bolsonaro pedindo recursos a Vorcaro. Segundo as informações publicadas, o banqueiro teria combinado um financiamento de R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados.
O dinheiro teria sido enviado para um fundo nos Estados Unidos responsável pela administração dos recursos da produção.
O financiamento privado de um filme não é crime por si só. O problema surge quando existem suspeitas de contrapartida política, tráfico de influência, ocultação do destino dos recursos ou mistura entre dinheiro privado e verbas públicas.
Por isso, as duas investigações precisam avançar.

O discurso anticorrupção desmorona

O caso revela uma contradição que a direita tenta esconder.
Enquanto seus líderes faziam discursos contra a corrupção, emendas parlamentares eram destinadas a entidades ligadas à produtora de uma cinebiografia de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, um banqueiro envolvido no escândalo do Banco Master teria sido procurado por Flávio Bolsonaro para colocar dezenas de milhões de reais no mesmo projeto.
Mario Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, aparece como autor de emenda destinada a uma entidade comandada pela produtora do filme.
Flávio Bolsonaro aparece na outra frente da investigação como responsável pelo pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro.
Karina Gama, por sua vez, está ligada às organizações que receberam recursos públicos e à empresa responsável pela produção.
Nada disso prova automaticamente a culpa dos investigados. Mas forma um conjunto de relações políticas e financeiras que exige uma apuração profunda, independente e sem proteção partidária.
A regra precisa valer para todos.
Se houver provas de que dinheiro destinado a projetos sociais foi desviado para financiar propaganda política disfarçada de cinema, os responsáveis deverão devolver os recursos e responder criminalmente.
A direita bolsonarista construiu sua imagem explorando o discurso da moralidade. Agora precisa explicar por que um filme sobre Jair Bolsonaro aparece cercado por suspeitas envolvendo emendas parlamentares, contratos públicos, entidades privadas, empresas subcontratadas e dezenas de milhões enviados por um banqueiro preso.
“Dark Horse” foi anunciado como uma cinebiografia.
A cada nova descoberta, porém, o filme parece menos uma obra de cinema e mais o roteiro de um escândalo envolvendo poder político e dinheiro que pode ter saído do bolso do povo brasileiro.