Governo do RJ faz pente-fino e exonera mais de 4 mil servidores fantasmas da antiga gestão do PL

O Governo do Rio de Janeiro deflagrou um pente-fino na folha de pagamento e já exonerou mais de 4 mil servidores classificados como 'fantasmas'

Governo do RJ faz pente-fino e exonera mais de 4 mil servidores fantasmas da antiga gestão do PL
Governador interino Ricardo Couto durante agenda oficial no Palácio Guanabara. A gestão afirma ter exonerado mais de 4 mil servidores comissionados após auditoria na folha de pagamento.
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O Governo do Estado do Rio de Janeiro exonerou, desde março de 2026, mais de 4 mil servidores comissionados identificados como "funcionários fantasmas" em uma auditoria conduzida pela Controladoria Geral do Estado (CGE) em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O levantamento, iniciado após a posse do governador interino Ricardo Couto, cruzou dados de acesso a prédios públicos, registros em sistemas eletrônicos e outras informações funcionais para rastrear ocupantes de cargos de confiança que supostamente não exerciam atividades efetivas.
De acordo com a apuração, todos os 77 órgãos da administração pública estadual apresentavam servidores com esse perfil, classificados tecnicamente como casos de "alta criticidade". Até o momento, 60 dos 77 órgãos foram auditados. Os critérios utilizados incluíam a ausência de registros de passagem nas catracas dos locais de trabalho, a falta de login em computadores institucionais e o não acesso ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), plataforma oficial para tramitação de documentos.
O número de exonerados alcançou 4.283 servidores comissionados, o que representa cerca de 30% do total de 14.340 cargos desse tipo no estado. O governo estima que o total de exonerações possa chegar a 6 mil até o final do ano. Entre as pastas com maiores índices de servidores fantasmas estão a Secretaria de Trabalho e Renda (78% a 80%), Esporte e Lazer (75%) e Turismo (73%). Na Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, foram encontrados 128 servidores lotados apenas no gabinete do secretário, dos quais 86% nunca haviam acessado o sistema. Na Casa Civil, foram exonerados aproximadamente 1,2 mil servidores, com subsecretarias inteiras extintas.
As exonerações devem gerar uma economia de R$ 230 milhões até o fim de 2026, segundo projeções do governo. A projeção anual da Controladoria indica uma redução de aproximadamente R$ 355 milhões nas despesas com pessoal, incluindo férias e décimo terceiro salário. O custo mensal dos servidores fantasmas identificados era de cerca de R$ 16,7 milhões.

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A auditoria revelou que a maioria dos exonerados tinha ligação com políticos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com a gestão anterior do ex-governador Cláudio Castro (PL) ou com ex-titulares de pastas estaduais. O GLOBO entrevistou alguns dos exonerados, que alegaram exercer atividades externas. Marcelo Cabral D'Almeida, exonerado da Secretaria de Ambiente, afirmou que seu trabalho era majoritariamente em campo, em visitas técnicas a praças e locais públicos, mas não conseguiu lembrar o nome de seu chefe imediato. Ele recebia salário de R$ 10.903,66.
O governo interino é liderado pelo desembargador Ricardo Couto, que assumiu após a renúncia de Cláudio Castro. O vice-governador e o presidente da Assembleia Legislativa também deixaram seus cargos, e a sucessão no comando do estado recaiu sobre Couto, que era presidente do Tribunal de Justiça do Rio. O Supremo Tribunal Federal ainda decidirá sobre a realização de eleição indireta para o governo, em julgamento suspenso desde 9 de abril de 2026.
Alguns servidores exonerados por Couto foram posteriormente nomeados como assessores de deputados estaduais na Alerj. Um levantamento do UOL identificou 16 casos, sendo que dois deles foram nomeados pelo presidente da Assembleia, Douglas Ruas (PL), apenas dois dias após serem exonerados.
O secretário de Governo e coordenador do GSI, Roberto Lizandro Leão, afirmou que o fortalecimento dos mecanismos de controle será fundamental para impedir novas ocorrências, com medidas como controle eletrônico de acesso aos prédios públicos, registro eletrônico de ponto e monitoramento dos acessos aos sistemas internos. As auditorias continuam em andamento nos demais órgãos da administração direta e indireta, e novos relatórios individuais já foram encaminhados às pastas auditadas para que apresentem justificativas.