Empresa que financiou Dark Horse entra na mira da PF por suspeita de ligação com esquema de lavagem de dinheiro do PCC
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A Polícia Federal passou a investigar uma possível ligação entre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e um esquema de lavagem de dinheiro supostamente relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação mudou de patamar após a Polícia Federal assumir o inquérito, antes conduzido pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc), de São Paulo, e incorporá-lo à Operação Compliance Zero.
Os R$ 28 milhões do filme
De acordo com as informações da PF, a empresa Entre Investimentos e Participações, utilizada para financiar o filme, realizou 14 transferências que somam R$ 28 milhões para a empresa ACX ITC Tecnologia ao longo de nove meses.
Segundo os investigadores, a Entre Investimentos foi a principal financiadora da ACX ITC no período analisado.
A ACX ITC Tecnologia, empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A (nome fantasia ACX ITC Group), fundada em 2018 com atividade principal na administração de fundos por contrato ou comissão, já era alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
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Caso a suspeita seja confirmada, os R$ 28 milhões teriam passado por esta empresa investigada pelo PCC antes de serem movimentados durante o período em que a Entre Investimentos financiava o filme DarkHorse. Essas transferências estão entre os principais focos da investigação da Polícia Federal.
Um dos principais elementos levantados pelos investigadores é que a empresa estaria registrada em nome de pessoas sem capacidade financeira compatível com os milhões de reais movimentados. Esse tipo de situação costuma ser considerado um forte indício do uso de "laranjas" para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações financeiras.
Com a federalização do caso, a Polícia Federal terá acesso a todo o material produzido pela Polícia Civil, incluindo informações obtidas por meio de quebras de sigilo bancário e fiscal.
Operação Compliance Zero
A investigação agora faz parte da Operação Compliance Zero, que também apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo empresas e movimentações relacionadas ao Banco Master.
A expectativa é que a PF cruze os dados bancários já obtidos com outras informações reunidas ao longo da operação para identificar a origem dos recursos e verificar se existe conexão entre o dinheiro utilizado no financiamento do filme e o esquema investigado.
Investigação continua
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou uma conclusão definitiva sobre a origem dos recursos empregados no filme. O objetivo é esclarecer se os valores utilizados na produção têm relação com o esquema de lavagem de dinheiro sob apuração ou se as movimentações ocorreram apenas por meio da mesma empresa investigada. A ampliação das investigações representa um novo capítulo no caso e pode trazer novas informações sobre a origem dos recursos nos próximos meses.