PF identifica Moraes como destinatário de mensagem em que Vorcaro fala em “proteção” de Gonet

Mensagem encontrada no celular do ex-dono do Banco Master levou André Mendonça a pedir manifestação da PGR; material não demonstra, até o momento, que Moraes tenha atendido ao pedido

PF identifica Moraes como destinatário de mensagem em que Vorcaro fala em “proteção” de Gonet
Ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça durante sessão plenária / FOTO: Carlos Moura/SCO/STF
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Uma mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro abriu um novo capítulo nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo reportagem publicada inicialmente pela jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, Vorcaro afirmou em uma conversa que precisava da “proteção” de duas pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo”.
Um relatório produzido pela Polícia Federal relacionou os nomes a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
O ponto que aumentou a repercussão do caso foi a identificação do destinatário da mensagem.
Segundo a investigação, a Polícia Federal concluiu posteriormente que a mensagem havia sido enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O que dizia a mensagem

De acordo com o material divulgado, Vorcaro relatava pressões envolvendo a Polícia Federal e o Ministério Público e mencionava a necessidade de obter “proteção” de “Andrei” e “Paulo”.
A identificação desses nomes foi feita pelos investigadores.
Andrei seria Andrei Rodrigues, que ocupa a direção-geral da Polícia Federal, enquanto Paulo seria Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Inicialmente, a Polícia Federal não havia identificado quem recebeu a mensagem enviada por Vorcaro. Apurações posteriores apontaram Alexandre de Moraes como destinatário.

André Mendonça aciona PGR

A descoberta chegou ao ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo.
Mendonça decidiu solicitar informações à Procuradoria-Geral da República sobre o conteúdo.
A PGR deverá se manifestar sobre as circunstâncias envolvendo a mensagem e as autoridades mencionadas.
O movimento demonstra que o conteúdo foi considerado relevante o suficiente para provocar uma providência formal dentro da investigação.

Mensagem não prova atuação de Moraes

Apesar da repercussão, existe uma distinção fundamental.

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O material divulgado mostra uma iniciativa atribuída a Daniel Vorcaro ao procurar o interlocutor identificado pela PF como Moraes.
Até agora, não foi apresentada publicamente prova de que Alexandre de Moraes tenha concordado com o pedido, procurado Andrei Rodrigues ou Paulo Gonet ou utilizado sua posição para beneficiar Vorcaro.
As mensagens divulgadas até o momento também não demonstram uma resposta de Moraes aceitando o pedido de ajuda.
Portanto, dizer que “Moraes protegeu Vorcaro” extrapolaria o que está comprovado atualmente.
O que existe é uma mensagem de Vorcaro enviada, segundo a identificação da PF, a Moraes, na qual o ex-banqueiro menciona a necessidade de “proteção” envolvendo o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República.

Caso se soma à revelação sobre contrato milionário

A mensagem ganhou ainda mais repercussão porque foi divulgada praticamente no mesmo período em que surgiram novas informações sobre o contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Metadados de um arquivo encontrado no celular de Vorcaro indicam que Alexandre de Moraes participou da edição de uma versão desse contrato.
O escritório confirmou que Moraes analisou o documento e afirmou que o ministro foi consultado para verificar possíveis impedimentos legais.
São, portanto, duas descobertas distintas.
Uma envolve a participação de Moraes na análise de um contrato do escritório da esposa com o Master.
A outra envolve uma mensagem de Vorcaro que, segundo a Polícia Federal, foi enviada ao ministro e menciona “proteção” relacionada a duas das autoridades mais importantes do sistema de Justiça brasileiro.

Investigação deverá esclarecer contexto

Agora caberá às autoridades esclarecer o contexto completo das conversas.
Entre os pontos ainda não esclarecidos publicamente estão eventuais respostas às mensagens, outras conversas mantidas entre os envolvidos e se houve qualquer ação concreta posteriormente.
A existência de uma mensagem enviada por Vorcaro não é suficiente, isoladamente, para demonstrar participação de seu destinatário em uma eventual irregularidade.
O conteúdo, entretanto, passou oficialmente a fazer parte das questões analisadas no âmbito das investigações, e André Mendonça solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.