PERITO DA PRÓPRIA PF É INVESTIGADO POR ARQUIVOS SOBRE MORAES E TOFFOLI

Polícia Federal descobre que foi um perito da própria PF que produziu arquivos "Moraes" e "Tóffoli"

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A investigação sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo dentro da própria Polícia Federal. Relatórios de auditoria da corporação apontam que o perito criminal João Cláudio Nabas teria produzido arquivos com referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo a apuração, Nabas estava designado para auxiliar tecnicamente a análise do material apreendido no caso que investiga crimes financeiros ligados ao Banco Master. No entanto, de acordo com os registros internos da PF enviados ao ministro André Mendonça, o servidor teria direcionado sua atuação para compilar informações relacionadas a ministros do STF, fora do escopo principal da investigação.
Os arquivos criados foram identificados como “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”. Eles teriam reunido mensagens, citações, documentos e referências encontradas no aparelho de Vorcaro. O problema, segundo a investigação, não está apenas na existência de menções a autoridades nos dados analisados, mas na forma como essas informações teriam sido selecionadas, organizadas e tratadas dentro de uma apuração sob sigilo.
A Polícia Federal investiga se houve violação de sigilo funcional e desvio de finalidade na atuação do perito. A suspeita é de que Nabas tenha produzido relatórios apócrifos, por iniciativa própria, sem autorização das autoridades responsáveis pelo caso, e ainda sugerido que o material fosse repassado à imprensa nacional. Se confirmada, a conduta ultrapassa o limite de uma análise técnica e entra no terreno de uma possível tentativa de transformar dados sigilosos em instrumento de disputa política.
Esse ponto é central. Uma coisa é a Polícia Federal encontrar, durante uma investigação, referências a autoridades públicas no celular de um investigado. Outra coisa, muito diferente, é um servidor organizar esse material de forma seletiva, dar título a arquivos com nomes de ministros do Supremo e cogitar o vazamento para a imprensa. Investigação séria precisa seguir cadeia de custódia, autorização judicial, controle institucional e finalidade legítima.
O caso também atinge diretamente uma narrativa que passou a circular em setores da extrema direita. Nas redes, perfis bolsonaristas tentaram apresentar os arquivos como se fossem provas definitivas contra ministros do STF. A apuração da própria Polícia Federal, no entanto, aponta outro caminho: os documentos teriam sido produzidos por um perito da corporação a partir de material sigiloso extraído do celular de Daniel Vorcaro, e não como prova espontânea ou conclusiva contra Moraes e Toffoli.
Isso não significa que dados encontrados em uma investigação devam ser ignorados. Qualquer informação relevante precisa ser analisada dentro da lei. O que não se pode admitir é que material sob sigilo seja separado, enquadrado e possivelmente vazado de maneira seletiva para alimentar guerra política fora dos autos. Quando isso acontece, a investigação deixa de servir apenas à busca da verdade e passa a correr o risco de ser usada como fábrica de dossiês.

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O episódio é ainda mais sensível porque envolve ministros do Supremo Tribunal Federal. Eventuais elementos relacionados a integrantes da Corte exigem supervisão adequada e tramitação dentro das regras legais próprias, justamente para evitar manipulação, vazamento seletivo ou exploração política. Não cabe a um servidor, isoladamente, definir o rumo de uma apuração envolvendo autoridades com prerrogativa de foro.
A Operação Compliance Zero já tinha grande peso político e econômico por envolver o Banco Master, Daniel Vorcaro, suspeitas de crimes financeiros e conexões com figuras influentes. Agora, com a suspeita de que um perito da PF teria produzido arquivos direcionados contra ministros do Supremo, o caso ganha uma nova dimensão: a possibilidade de uso indevido de informação sigilosa dentro de uma investigação de alta sensibilidade.
Politicamente, a pergunta que precisa ser respondida é direta: quem tinha interesse em transformar dados do celular de Daniel Vorcaro em munição contra ministros do STF? Essa é a questão que a Polícia Federal precisa esclarecer com rigor. Se houve desvio de escopo, tentativa de vazamento ou produção de relatório sem autorização, os responsáveis devem responder.
O episódio mostra como a disputa política brasileira passou a operar também pela manipulação de fragmentos de investigação. Um dado incompleto, retirado do contexto e lançado nas redes, pode ser usado para criar suspeita, alimentar ataques e fabricar narrativa. Mas prova não nasce de recorte conveniente.
A Polícia Federal, ao identificar indícios de conduta irregular, abriu apuração e comunicou o caso ao ministro André Mendonça. A investigação deve apontar se Nabas agiu sozinho, se houve tentativa efetiva de vazamento e se outras pessoas participaram ou se beneficiariam da circulação desse material.
O que não dá é para tratar esse caso como detalhe administrativo. Quando informações sigilosas de uma operação sobre crimes financeiros são transformadas em arquivos direcionados contra ministros do Supremo, o problema deixa de ser apenas interno. Passa a envolver a integridade da investigação, a credibilidade das instituições e o risco de uso político da máquina pública.
Se houve vazamento ilegal, que se investigue. Se houve produção de dossiê fora do escopo da operação, que se responsabilize. E se houve tentativa de manipular a opinião pública usando dados sigilosos, que isso seja tratado com a gravidade que merece.
O caso Master precisa ser investigado até o fim, inclusive suas conexões políticas e financeiras. Mas nenhuma investigação pode virar operação paralela, dossiê seletivo ou arma de ataque institucional. A Polícia Federal precisa esclarecer tudo. E quem jogou sujo precisa responder.