Mensagens em que Vorcaro supostamente pedia a Moraes proteção não registram resposta do ministro
Material extraído do celular de Daniel Vorcaro registra pedidos enviados ao ministro Alexandre de Moraes envolvendo Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, mas investigadores não recuperaram as respostas
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, acrescentaram um novo capítulo às investigações envolvendo o banqueiro e integrantes do alto escalão das instituições brasileiras. O material indica que Vorcaro teria enviado a Alexandre de Moraes pedidos para que o ministro atuasse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Há, porém, uma informação fundamental: as mensagens recuperadas não registram as respostas de Moraes.
Segundo as reportagens, Vorcaro tinha o hábito de escrever textos no aplicativo de notas do celular, fazer capturas de tela e encaminhar essas imagens pelo WhatsApp utilizando o recurso de visualização única. A PF conseguiu recuperar os registros enviados pelo banqueiro, mas não as eventuais respostas dadas pelo interlocutor. Portanto, o material divulgado permite conhecer os pedidos atribuídos a Vorcaro, mas, isoladamente, não permite determinar como Moraes reagiu a cada uma dessas solicitações.
PF aponta Moraes como destinatário
Inicialmente, uma das mensagens encontradas não identificava diretamente quem estava do outro lado da conversa. Após análise preliminar, contudo, a Polícia Federal apontou Alexandre de Moraes como destinatário dos textos e identificou as referências a “Andrei” e “Paulo” como sendo Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, respectivamente.
Em uma mensagem de 30 de outubro de 2025, Vorcaro teria pedido que o interlocutor reforçasse com Gonet e Andrei a necessidade de impedir ações que considerava prejudiciais ao Banco Master. Os registros posteriores mostram novas tentativas do banqueiro de obter informações ou intervenção diante do avanço das investigações.
Dias depois, Vorcaro voltou a mencionar Gonet. Segundo o material divulgado, ele afirmou que seus advogados haviam procurado o procurador-geral e também perguntou a Moraes se determinadas iniciativas jurídicas seriam adequadas.
Às vésperas de sua prisão, os pedidos teriam se intensificado. Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro questionou se seria possível reverter medidas com Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues. No dia seguinte, voltou a mencionar o diretor-geral da PF e pediu que uma possível ação fosse atrasada.
Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10
Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram
O que não aparece nas mensagens
Esse ponto ganhou importância porque o conjunto divulgado até agora apresenta a versão de Vorcaro na conversa, e não um diálogo completo.
Não há, nesse material recuperado e divulgado pela imprensa, registro das respostas que Moraes eventualmente tenha enviado aos pedidos. Isso significa que as mensagens não demonstram, por si só, que o ministro tenha aceitado os pedidos, acionado Gonet ou Andrei ou interferido em uma investigação.
Ao mesmo tempo, o fato de não terem sido recuperadas respostas também não permite concluir que nunca tenham existido respostas. O que se sabe é que elas não constam do material recuperado pela investigação, devido à forma como as mensagens eram enviadas.
Essa distinção é relevante porque uma coisa é comprovar que Vorcaro buscava auxílio ou intervenção; outra, diferente, seria demonstrar que alguma autoridade efetivamente atendeu às solicitações.
André Mendonça pede esclarecimentos à PGR
A descoberta provocou reação do ministro André Mendonça, também do STF. Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República um pedido de informações complementares sobre a mensagem que cita a suposta necessidade de “proteção” de Gonet e de Andrei Rodrigues. A PGR recebeu prazo de cinco dias para se manifestar.
A apuração ocorre dentro de um contexto mais amplo relacionado ao Banco Master e às circunstâncias que antecederam a primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
O caso ganha relevância justamente porque as mensagens revelam o tipo de acesso que Vorcaro aparentemente buscava manter com autoridades de alto escalão enquanto seu banco estava sob pressão investigativa. O próximo passo será esclarecer se os pedidos permaneceram apenas como iniciativas do banqueiro ou se houve alguma atuação concreta em resposta a eles.