INDICADO AO SENADO POR FLÁVIO BOLSONARO É ALVO DA PF NO RJ
Operação autorizada pelo STF apura suspeita de uso de postos de combustíveis para ocultar recursos ilícitos; entre os investigados estão Marcus Amim e Márcio Canella pré-candidato de Flávio Bolsonaro
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A 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal, abriu uma nova frente de investigação sobre a possível infiltração de dinheiro ilícito no setor de combustíveis do Rio de Janeiro.
Segundo reportagem do UOL, a operação investiga uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio que teria sido usada para ocultar e movimentar recursos de origem suspeita. A apuração envolve valores que podem chegar a R$ 7,6 bilhões, em um caso que une crime econômico, atividade empresarial e influência política.
Entre os nomes citados na investigação estão Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, e Márcio Canella, presidente do União Brasil no estado e pré-candidato de Flávio Bolsonaro ao Senado. Os dois aparecem no centro de uma apuração que busca identificar se estruturas empresariais foram utilizadas para dar aparência legal a recursos ilícitos.
O setor de combustíveis costuma ser considerado sensível em investigações de lavagem de dinheiro porque permite grande circulação financeira, emissão constante de notas fiscais, movimentação por empresas interpostas e uso de estruturas formais para mascarar a origem real dos recursos.
A suspeita investigada pela Polícia Federal é que postos de gasolina tenham funcionado como parte de uma engrenagem financeira destinada a esconder dinheiro de origem ilegal. Nesse tipo de operação, o dinheiro sujo pode entrar no caixa de empresas aparentemente regulares, circular pelo sistema financeiro e retornar com aparência de legalidade.
O caso chama atenção não apenas pelo valor investigado, mas também pelo perfil dos alvos. Quando uma apuração federal alcança empresários, agentes públicos e dirigentes partidários, o problema deixa de ser apenas policial. Passa a revelar uma possível conexão entre economia formal, poder político e redes criminosas.
A investigação também reforça um ponto central no debate sobre segurança pública no Brasil: o crime organizado não atua apenas nas ruas, com armas e domínio territorial. Ele também pode operar por meio de empresas, contratos, laranjas, movimentações bancárias e relações políticas.
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Essa é a parte mais sofisticada do problema. O dinheiro ilícito, quando entra na economia formal, pode financiar campanhas, comprar proteção, influenciar decisões públicas e enfraquecer a capacidade do Estado de combater o crime.
A Operação Unha e Carne, nessa nova fase, busca justamente rastrear esse caminho do dinheiro. A pergunta que a investigação tenta responder é direta: quem eram os verdadeiros beneficiários da rede de postos e como uma movimentação bilionária teria passado pelos mecanismos de controle?
Até o momento, as informações conhecidas indicam que a apuração ainda está em andamento. Por isso, os investigados devem ter assegurado o direito de defesa, e eventuais responsabilidades precisam ser comprovadas no curso do processo.
Mesmo assim, o caso já tem peso político. Ele expõe uma área tradicionalmente vulnerável à lavagem de dinheiro e coloca pressão sobre autoridades do Rio de Janeiro, especialmente em um momento em que o estado enfrenta sucessivas denúncias envolvendo crime organizado, milícias, corrupção e influência política.
Se as suspeitas forem confirmadas, a investigação poderá revelar mais do que um esquema financeiro. Poderá mostrar como o dinheiro ilegal se protege dentro de estruturas aparentemente legais.
O avanço da operação será decisivo para esclarecer se os postos investigados eram apenas fachada operacional ou parte de uma rede maior de ocultação patrimonial, influência política e lavagem de dinheiro em escala bilionária.