Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a atuação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, revela de maneira cada vez mais evidente uma estratégia de Washington para aumentar a pressão política sobre o governo brasileiro e dificultar os planos de reeleição do petista.
A interpretação ganhou força após o Departamento de Estado americano divulgar um vídeo que recupera referências à chamada Doutrina Monroe, formulada no século XIX e historicamente associada à defesa da predominância dos Estados Unidos sobre o continente americano.
Na avaliação de auxiliares de Lula, a publicação representa mais do que uma referência histórica. O conteúdo seria um sinal da disposição do governo de Donald Trump de ampliar a influência americana na América Latina, especialmente diante do avanço da presença econômica e estratégica da China na região.
O grupo ligado a Rubio é visto dentro do governo brasileiro como uma ala mais ideológica da administração Trump. Alguns integrantes do governo chegaram a fazer comparações irônicas com os personagens de “Os Pinguins de Madagascar” para descrever o que consideram uma política externa marcada por decisões consideradas improvisadas e ideológicas.
Para assessores do presidente brasileiro, a disputa entre Washington e Pequim coloca o Brasil em uma posição particularmente importante. O país é a maior economia e o território mais extenso da América Latina, além de atualmente ser comandado por um governo de esquerda.
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Na leitura desses integrantes do governo, uma maior aproximação dos Estados Unidos com governos e movimentos políticos conservadores da região poderia alterar o equilíbrio político latino-americano.
O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado reúne referências a episódios relacionados à Doutrina Monroe e a acontecimentos mais recentes envolvendo a atuação americana no continente. Para o governo brasileiro, a escolha do conteúdo reforça a percepção de que Washington pretende reafirmar sua influência sobre a América Latina.
Relação com aliados de Bolsonaro
Outro ponto observado por integrantes do governo Lula é a relação política entre Marco Rubio e setores ligados à direita brasileira, incluindo aliados da família Bolsonaro.
Na avaliação desses interlocutores, a pressão americana sobre o governo brasileiro não deve ser analisada isoladamente, mas dentro de um cenário maior de disputa pela influência política na América Latina.
A interpretação, contudo, é uma avaliação de integrantes do governo brasileiro e não significa que os Estados Unidos tenham declarado oficialmente que pretendem interferir na eleição brasileira ou atuar diretamente contra a candidatura de Lula.
O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas na região e à crescente disputa entre Estados Unidos e China por influência econômica, diplomática e estratégica na América Latina.