FLÁVIO BOLSONARO, CADA VEZ MAIS DESGASTADO

Flávio Bolsonaro perde força nas pesquisas, enquanto Lula mantém liderança e estabilidade na disputa presidencial.

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A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em junho confirma um movimento que já vinha sendo percebido no ambiente político: as controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro começaram a pesar sobre sua viabilidade eleitoral. No cenário com seis candidatos, o presidente Lula aparece com 47,2% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra 36,3%. A diferença de 10,9 pontos percentuais indica uma vantagem expressiva de Lula e mostra que a candidatura bolsonarista atravessa um momento de desgaste crescente.
O dado ganha ainda mais relevância quando projetado sobre o tamanho do eleitorado brasileiro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o Brasil tem mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar em 2026. Nesse universo, uma diferença próxima de 11 pontos percentuais representa algo em torno de 17 milhões de votos potenciais. Não se trata, portanto, de uma oscilação pequena ou de um detalhe estatístico, mas de um sinal político consistente sobre o atual estágio da disputa presidencial.
Enquanto Lula demonstra estabilidade e mantém uma base sólida de apoio, Flávio Bolsonaro aparece em queda nas rodadas mais recentes da pesquisa. O senador tentou se apresentar como herdeiro natural do bolsonarismo e alternativa eleitoral ao pai, mas enfrenta dificuldade para ampliar seu campo de apoio. A tentativa de vestir uma imagem mais moderada parece não ter sido suficiente para neutralizar o peso das crises políticas, familiares e de imagem acumuladas nos últimos meses.
O desgaste de Flávio não pode ser analisado apenas pelo ângulo eleitoral. Há uma combinação de fatores que atinge diretamente sua credibilidade pública. Episódios envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master, valores milionários, áudios e explicações consideradas insuficientes passaram a ocupar espaço no debate político. Ao mesmo tempo, a exposição de conflitos internos no núcleo bolsonarista, especialmente envolvendo Michelle Bolsonaro, enfraqueceu a imagem de unidade que a família sempre tentou vender ao eleitorado conservador.
A pesquisa também mostra que a simples troca de nomes dentro do campo bolsonarista não resolve o problema. Em um cenário no qual Michelle Bolsonaro aparece como candidata, Lula mantém ampla vantagem. Segundo os dados divulgados, Lula teria 47,1%, enquanto Michelle ficaria com 19,3%. Isso indica que o desgaste não está restrito apenas à figura de Flávio, mas atinge o próprio projeto político bolsonarista, que tenta se reorganizar em meio a disputas internas, perda de narrativa e dificuldade de renovação.

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Entre os demais nomes da direita, Renan Santos aparece como um dos poucos que demonstram algum crescimento, justamente ao adotar uma postura mais dura contra Flávio Bolsonaro. Já Romeu Zema e Ronaldo Caiado seguem em posição mais cautelosa, evitando confronto direto com o bolsonarismo. Essa postura, porém, limita o espaço de ambos, pois os mantém presos a uma zona intermediária: querem se apresentar como alternativa, mas não rompem claramente com o campo político que dizem querer substituir.
No segundo turno, a vantagem de Lula também aparece de forma clara. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra o presidente com 48,8%, contra 42,3% de Flávio Bolsonaro. Esse resultado desmonta a narrativa de que o senador seria o nome mais competitivo da direita para enfrentar Lula na etapa final da eleição. Pelo contrário, os números indicam que Flávio não apenas perde no primeiro turno, como também vê a distância aumentar em uma simulação direta contra o presidente.

A reação de parte do bolsonarismo ao mau desempenho também chama atenção. Em vez de reconhecer o impacto das crises e rever a estratégia política, setores ligados ao grupo passaram a responsabilizar segmentos do eleitorado, especialmente as mulheres. Declarações como as de Paulo Figueiredo, criticando o comportamento eleitoral feminino, tendem a ampliar a rejection justamente em um público decisivo para a disputa. Trata-se de uma reação que revela mais desespero do que capacidade de reorganização.

A tentativa do Partido Liberal de criar um clima de recuperação, apoiada em supostos dados internos favoráveis, também não se confirmou nos números divulgados pela AtlasIntel/Bloomberg. O discurso de que Flávio estaria reagindo parece mais uma estratégia de comunicação do que um reflexo concreto da realidade eleitoral. Na prática, os dados mostram um candidato em processo de desgaste, com dificuldade de consolidar a direita e de neutralizar os efeitos das crises que o cercam.
O cenário apresentado pela pesquisa é duro para Flávio Bolsonaro. Ele não cresce no momento em que deveria se consolidar. Não amplia sua vantagem dentro da direita. Não demonstra força suficiente para unificar o campo conservador. E, ao mesmo tempo, vê Lula permanecer estável, liderando todos os principais cenários testados. Em política, queda acompanhada de crise tem significado mais profundo do que simples oscilação: revela perda de confiança, fragilidade de imagem e dificuldade de retomada.