Como Era o Brasil, Antes de Lula e o PT Governarem
O Brasil sempre produziu riqueza e comida em abundância. A partir de 2003 a decisão política de colocar o combate à fome, a valorização do trabalho e a inclusão social no centro do governo.
Como Era o Brasil, Antes de Lula e o PT Governarem
Da fome tratada como paisagem à saída do Mapa da Fome pela segunda vez.
O Brasil não era um país pobre porque faltava comida.
Era um país que produzia muito e deixava milhões de brasileiros sem comer.
Antes de Lula chegar à Presidência, em 2003, a fome, a pobreza, o desemprego, a informalidade e a desigualdade faziam parte da rotina de milhões de famílias. O trabalhador pobre era tratado como problema individual. Se não tinha emprego, comida, remédio, energia elétrica, moradia ou oportunidade de estudar, a culpa parecia ser sempre dele.
Lula e os governos do Partido dos Trabalhadores não inventaram a política social brasileira. A Constituição de 1988 criou as bases da seguridade social e do Sistema Único de Saúde. O Plano Real, iniciado em 1994, foi decisivo para acabar com a hiperinflação. Antes do Bolsa Família também existiram o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação, o Auxílio Gás e programas municipais de renda mínima.
Mas foi a partir de 2003 que o combate à fome deixou de ser uma ação fragmentada e passou a organizar a estratégia de governo. Lula reuniu políticas de transferência de renda, valorização real do salário mínimo, geração de emprego, alimentação escolar, apoio à agricultura familiar, acesso à água, energia, saúde, educação e moradia.
Essa mudança de prioridade produziu um resultado histórico: o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, pela primeira vez em 2014. Depois voltou ao mapa durante o ciclo de retrocessos sociais no governo Jair Bolsonaro. Com a retomada das políticas sociais no terceiro governo Lula, o país saiu novamente no triênio 2022–2024 e permaneceu fora no triênio 2023–2025, segundo o relatório SOFI 2026.
Essa história não é opinião. É resultado medido por instituições brasileiras e internacionais.
A ditadura fez a economia crescer, mas concentrou renda e reprimiu o povo com muita violência, tortura e mortes.
O regime militar governou o Brasil entre 1964 e 1985 sem eleições diretas para presidente, com censura, perseguição política, prisões ilegais, tortura, assassinatos e desaparecimentos.
A Comissão Nacional da Verdade reconheceu 434 mortos e desaparecidos políticos e documentou graves violações praticadas por agentes do Estado. O próprio relatório estimou ao menos 8.350 indígenas mortos, número considerado parcial. A documentação está disponível no acervo da Comissão Nacional da Verdade e no relatório sobre os direitos dos povos indígenas.
Na economia, houve o chamado “milagre econômico”, especialmente entre 1968 e 1973. O Produto Interno Bruto cresceu e grandes obras foram construídas. Só que o crescimento foi sustentado por endividamento, repressão aos sindicatos e arrocho salarial. A riqueza cresceu mais depressa do que a renda do trabalhador.
Estudo do Ipea sobre a política salarial registra que a combinação de ditadura com crescimento econômico produziu arrocho para os trabalhadores menos qualificados. O Senado também registra que o “milagre” aprofundou a concentração de renda, criando o país apelidado de “Belíndia”: uma pequena Bélgica rica cercada por uma enorme Índia pobre. O índice de Gini, usado para medir desigualdade, chegou a níveis extremos durante o regime. Quanto mais perto de 1, maior a desigualdade. Segundo registro do Senado, o indicador, estimado em 0,46 antes do golpe, chegou a 0,65 no período militar.
É errado dizer que nada melhorou durante aqueles 21 anos. O país se industrializou, urbanizou-se, ampliou estradas, energia e telecomunicações. Mas também é falso usar esse crescimento como prova de boa qualidade de vida para a maioria. Não existia SUS, criado somente depois da Constituição de 1988. A proteção social era limitada, milhões trabalhavam sem cobertura previdenciária e as periferias urbanas cresceram sem moradia, saneamento e transporte suficientes.
O regime entregou o país à democracia com inflação alta, dívida externa pesada, desigualdade profunda e direitos sociais ainda incompletos. Crescimento sem democracia e sem distribuição não é desenvolvimento para todos.
O Brasil que Lula recebeu em 2003
Quando Lula assumiu, o Brasil já tinha conquistado a Constituição de 1988, o SUS e a estabilidade monetária do Plano Real. Reconhecer isso não diminui o que veio depois. Apenas torna a comparação correta.
Mesmo com esses avanços, a situação de 2002 era grave. Uma apresentação histórica do Banco Central descreveu o ponto de partida com:
Reservas internacionais de apenas US$ 23,3 bilhões;
Na área social, o diagnóstico do Fome Zero identificou 44 milhões de pessoas pobres e vulneráveis à fome. Esse número não deve ser apresentado como se todas estivessem em jejum permanente. Ele representava o público cuja renda era insuficiente para garantir alimentação adequada. O livro oficial Fome Zero: A Experiência Brasileira mostra a dimensão do desafio.
O Brasil ainda não possuía, em 2002, uma pesquisa nacional baseada na atual Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. A primeira medição comparável veio em 2004. Ela encontrou algum grau de insegurança alimentar em 34,9% dos domicílios e insegurança grave em 6,9%. Em 2013, esses percentuais haviam recuado para 22,6% e 3,2%, respectivamente, segundo o IBGE.
O que Lula e os governos do PT criaram ou estruturaram
Não existe uma lista oficial única de “todos os programas sociais do PT”. Foram centenas de ações, leis e políticas em áreas diferentes. O que os governos Lula e Dilma fizeram foi criar novas políticas, unificar programas dispersos, expandir estruturas que já existiam e montar um sistema nacional de inclusão.
Entre as principais iniciativas estão:
Combate à fome, renda e proteção social.
Fome Zero, 2003. Tornou o combate à fome o eixo do governo e articulou transferência de renda, alimentação, agricultura familiar, acesso à água e participação social.
Programa de Aquisição de Alimentos, PAA, 2003. O poder público passou a comprar alimentos da agricultura familiar para abastecer escolas, cozinhas, bancos de alimentos e redes assistenciais. O programa foi criado pela Lei nº 10.696/2003, conforme documentação do MDS.
Bolsa Família, 2003–2004. Unificou e ampliou programas anteriores, estabeleceu uma política nacional de transferência de renda e vinculou o benefício ao acompanhamento escolar, à vacinação e à saúde das crianças. Foi instituído pela Lei nº 10.836/2004, conforme a Mensagem ao Congresso de 2010.
Programa Cisternas, 2003. Levou água para consumo e produção a famílias pobres do semiárido, aproveitando tecnologias sociais desenvolvidas em parceria com organizações da sociedade civil.
Sistema Único de Assistência Social, SUAS, 2005. Organizou nacionalmente a assistência social prevista na Constituição e na Lei Orgânica da Assistência Social, por meio de estruturas como CRAS e CREAS.
Territórios da Cidadania, 2008. Integração de políticas de renda, infraestrutura, cidadania e desenvolvimento em regiões rurais pobres.
Brasil Sem Miséria, 2011. No governo Dilma, reuniu transferência de renda, busca ativa, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva para alcançar a pobreza mais resistente.
Brasil Carinhoso, 2012. Reforçou a renda de famílias com crianças pequenas e ampliou ações de creche, saúde e nutrição.
Saúde
SAMU 192, 2003. Estruturou o atendimento móvel de urgência em escala nacional.
Brasil Sorridente, 2004. Criou uma política nacional de saúde bucal no SUS, com equipes, centros de especialidades e laboratórios de próteses.
Farmácia Popular, 2004. Ampliou o acesso a medicamentos gratuitos ou subsidiados. Documentos oficiais registram a criação, em 2004, do Brasil Sorridente e da Farmácia Popular.
Rede de UPAs, a partir de 2007. Expandiu unidades de pronto atendimento para reduzir a pressão sobre hospitais.
Mais Médicos, 2013. Levou profissionais a municípios e periferias com falta de atendimento, além de apoiar a formação médica e a infraestrutura da atenção básica.
Educação
Brasil Alfabetizado, 2003. Voltado à alfabetização de jovens, adultos e idosos.
ProUni, 2004. Concedeu bolsas integrais e parciais em instituições privadas para estudantes de baixa renda.
Fundeb, 2007. Substituiu e ampliou o Fundef, passando a financiar toda a educação básica, da creche ao ensino médio.
Reuni, 2007. Expandiu universidades federais, vagas, cursos e campi, principalmente fora das capitais.
Caminho da Escola, 2007. Financiou ônibus e transporte escolar, com atenção especial às áreas rurais.
Proinfância, 2007. Financiou a construção e a equipagem de creches e pré-escolas.
Institutos Federais, 2008. Criaram uma rede nacional de educação profissional e tecnológica, com forte interiorização.
Pronatec, 2011. Expandiu a formação técnica e profissional no governo Dilma.
Lei de Cotas, 2012. Reservou vagas nas instituições federais para estudantes de escolas públicas, pessoas de baixa renda, negros, pardos e indígenas.
Ciência sem Fronteiras, 2011. Financiou formação e intercâmbio acadêmico e científico no exterior.
Moradia, infraestrutura e cidadania
Luz para Todos, 2003. Levou eletricidade a comunidades rurais e isoladas, mudando a vida de famílias que ainda viviam no escuro.
PAC, 2007. Retomou investimentos coordenados em infraestrutura, saneamento, logística, energia e urbanização.
Minha Casa, Minha Vida, 2009. Criou um programa habitacional em escala nacional, com subsídio maior para as famílias de menor renda.
Água para Todos, 2011. Ampliou o acesso à água em áreas rurais e regiões vulneráveis.
Esses programas não funcionaram isoladamente. O resultado veio da combinação entre renda, emprego, salário mínimo, alimentação, escola, saúde, água, energia e moradia.
O resultado dos primeiros governos do PT
Entre 2003 e 2009, o número de pessoas consideradas pobres pelo critério do Fome Zero caiu de 44 milhões para 29,6 milhões. A maior redução ocorreu no Nordeste, onde aproximadamente 9 milhões de pessoas saíram da pobreza, segundo levantamento publicado pelo governo federal.
Entre abril de 2003 e janeiro de 2010, o salário mínimo teve aumento real de aproximadamente 53,7%, já descontada a inflação, conforme estudo do Ipea.
Entre 2003 e 2010 foram criados cerca de 15 milhões de empregos formais, também segundo o Ipea. O emprego com carteira cresceu, a informalidade recuou e a renda do trabalho ganhou força.
A inflação, que havia terminado 2002 em 12,53%, fechou 2010 em 5,91%, segundo o IBGE. Isso não significa que todos os anos foram iguais, mas demonstra que o país combinou crescimento, expansão social e inflação bem abaixo do ponto de partida.
As reservas internacionais passaram de US$ 23,3 bilhões, em 2002, para US$ 288,57 bilhões, no fim de 2010, conforme o Banco Central. O Brasil pagou antecipadamente sua dívida com o FMI em 2005 e deixou de viver sob a mesma vulnerabilidade cambial do passado.
O dólar comercial caiu fortemente em relação ao pico de 2002. A série do Ipeadata, com dados do Banco Central, mostra a valorização do real durante boa parte dos dois primeiros mandatos de Lula.
Na Bolsa, o Ibovespa saiu de aproximadamente 11,3 mil pontos no fim de 2002 para 69,3 mil pontos no fim de 2010. Em termos nominais, o índice ficou mais de seis vezes maior, apesar da queda mundial provocada pela crise financeira de 2008. A série pode ser consultada na B3.
As exportações de bens também avançaram de cerca de US$ 60 bilhões em 2002 para mais de US$ 200 bilhões em 2010. A produção de veículos cresceu fortemente ao longo da década, acompanhando crédito, renda, emprego e mercado interno. O avanço não pode ser explicado apenas pelo governo: o ciclo internacional das commodities, a demanda chinesa e a estabilidade construída pelo Plano Real também ajudaram. Mas as escolhas internas decidiram se parte dessa riqueza seria convertida ou não em salário, emprego, consumo e políticas públicas.
Em 2014, depois de mais de uma década de políticas integradas, o Brasil saiu pela primeira vez do Mapa da Fome. O indicador da FAO mede a proporção de pessoas sem acesso regular às calorias mínimas necessárias. Sair do mapa significa ficar abaixo de 2,5%. Não significa que a fome desapareceu por completo, mas representa uma mudança estrutural reconhecida internacionalmente.
A fila do osso no governo Bolsonaro
O Brasil que havia saído do Mapa da Fome voltou a conviver com imagens que pareciam pertencer ao passado.
Durante o governo Jair Bolsonaro, famílias fizeram filas para receber ossos, pelancas e restos descartados por açougues e supermercados. Em 2021, cenas de brasileiros revirando caminhões de lixo em busca de comida circularam pelo país. Em 2026, Flávio Bolsonaro chegou a usar imagens de 2021 para atacar Lula, mas o ICL Notícias mostrou que as gravações eram do governo de seu próprio pai.
A fila do osso não foi apenas uma imagem humilhante. Ela virou o símbolo de um retrocesso mensurável.
Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10
Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram
A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE já havia identificado 10,3 milhões de pessoas em domicílios com insegurança alimentar grave em 2017–2018. Em 2022, o II Inquérito da Rede PENSSAN estimou 33,1 milhões de brasileiros passando fome, ou 15,5% da população. O dado foi divulgado pelo Conselho Federal de Nutricionistas.
A pandemia destruiu empregos e renda no mundo inteiro, e a inflação internacional dos alimentos também pesou. Seria desonesto ignorar esses fatores. Mas a crise sanitária não explica tudo. Antes e durante a pandemia, o governo Bolsonaro extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no início de sua gestão, enfraqueceu políticas de abastecimento e agricultura familiar, atacou a ciência, conduziu de forma desastrosa a emergência da Covid-19 e demorou a construir uma proteção social permanente.
Em 2021, a pobreza atingiu 62,5 milhões de pessoas, o maior contingente da série do IBGE iniciada em 2012. O rendimento domiciliar per capita caiu ao menor nível da série, segundo o IBGE.
Nos quatro anos de Bolsonaro, a inflação dos alimentos passou de 40% no acumulado, segundo levantamento publicado pelo ICL Notícias. Em 2020, os alimentos subiram 14,09%; em 2022, outros 11,64%.
O Brasil voltou ao Mapa da Fome em 2022. Um país que estava entre os maiores produtores de alimentos do mundo voltou a ver gente disputando osso porque o Estado abandonou sua responsabilidade.
Lula volta, e o Brasil sai novamente do Mapa da Fome
Em 2023, o terceiro governo Lula encontrou um país com fome, pobreza elevada, vacinação infantil em queda, serviços públicos fragilizados e políticas sociais desmontadas.
A resposta foi reconstruir o Bolsa Família, retomar o PAA, fortalecer a alimentação escolar, relançar o Minha Casa, Minha Vida e o Mais Médicos, ampliar a Farmácia Popular e criar o Plano Brasil Sem Fome, que articula dezenas de ações.
Também foram criados programas novos:
Novo Bolsa Família. Garantia mínima por pessoa, adicional para crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes, com retomada do acompanhamento de saúde e educação.
Plano Brasil Sem Fome, 2023. Integra mais de 80 ações para ampliar renda, localizar famílias invisíveis, produzir alimentos e fortalecer o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.
Programa Cozinha Solidária, 2023. Passou a apoiar cozinhas comunitárias que fornecem refeições gratuitas à população vulnerável. A iniciativa foi instituída pela Lei nº 14.628/2023 e está detalhada no MDS.
Pé-de-Meia, 2024. Criou uma poupança para estimular a permanência e a conclusão do ensino médio por estudantes pobres. O programa alcança quase 4 milhões de jovens, segundo o Ministério da Educação.
Desenrola Brasil. Abriu condições de renegociação para consumidores endividados e ajudou milhões a recuperar acesso ao crédito.
Novo PAC e Nova Indústria Brasil. Retomaram planejamento, investimento público e financiamento para infraestrutura, saúde, educação, transição energética e indústria.
Os resultados sociais apareceram rapidamente. Entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza. A proporção da população pobre caiu de 27,3% para 23,1%, e a extrema pobreza chegou a 3,5%, segundo o IBGE.
Entre 2023 e 2024, mais de 2 milhões de domicílios deixaram a insegurança alimentar. A insegurança grave caiu de 4,1% para 3,2% dos lares, conforme a PNAD Contínua do IBGE.
O relatório SOFI 2025 reconheceu que o Brasil voltou a ficar abaixo do limite de 2,5% de subnutrição no triênio 2022–2024. O SOFI 2026 confirmou que o país permaneceu fora do mapa no triênio 2023–2025 e informou queda da insegurança alimentar severa para 0,6% no indicador internacional.
O Brasil saiu do Mapa da Fome duas vezes sob governos do PT. E voltou ao mapa durante o período em que as políticas sociais foram desmontadas pelo governo de direita.
Desemprego: da recuperação ao menor nível da série.
A taxa média anual de desemprego caiu de 9,3% em 2022 para 7,8% em 2023, 6,6% em 2024 e 5,6% em 2025, o menor resultado da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. No segundo trimestre de 2026, a taxa chegou a 5,4%, segundo o painel atualizado do IBGE.
Não é apenas um percentual. Significa milhões de pessoas voltando a trabalhar, consumir, pagar contas e sustentar suas famílias.
Em 2025, o rendimento médio real domiciliar per capita também bateu recorde. O rendimento médio mensal de todas as fontes chegou a R$ 3.367, com alta real de 5,4%, segundo o IBGE. O índice de Gini caiu ao menor nível da série iniciada em 2012.
A retomada da política de valorização do salário mínimo foi decisiva. A Lei nº 14.663/2023 garantiu correção pela inflação e ganho real relacionado ao crescimento do PIB, conforme o texto publicado no Planalto.
A inflação oficial terminou 2022 em 5,79%. Caiu para 4,62% em 2023, ficou em 4,83% em 2024 e recuou para 4,26% em 2025. Em julho de 2026, o IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,44%, segundo o IBGE.
Portanto, é correto afirmar que a inflação ficou menor do que no fim do governo Bolsonaro. Inflação menor significa que os preços, em média, passaram a subir mais devagar. Alimentos, aluguel e serviços ainda pesam no orçamento, especialmente das famílias pobres.
A economia cresceu acima de muitas previsões
O PIB brasileiro cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. No primeiro trimestre de 2026, avançou 1,1% em relação ao trimestre anterior. Os dados estão no painel de Contas Nacionais do IBGE.
O Ibovespa subiu 22,28% em 2023, caiu 10,36% em 2024 e disparou 33,95% em 2025, quando registrou 32 recordes de fechamento. Em abril de 2026, superou 198 mil pontos, novo recorde nominal. A série oficial está disponível na B3.
O desempenho mostra valorização expressiva no conjunto do período, mas seria propaganda enganosa esconder a queda de 2024. Bolsa depende de lucros empresariais, juros brasileiros e internacionais, fluxo de capital, commodities, câmbio e expectativas políticas. Nenhum presidente controla sozinho todas essas variáveis.
O dólar terminou 2022 próximo de R$ 5,22 e caiu para cerca de R$ 4,84 no fim de 2023. Em 2024, porém, subiu fortemente e encerrou o ano acima de R$ 6. Em 2025 voltou a cair, terminando próximo de R$ 5,50. Em agosto de 2026 estava na faixa de R$ 5,19.
Exportações bateram recorde histórico.
Em 2023, as exportações brasileiras chegaram ao recorde de US$ 339,7 bilhões. Em 2025, o país superou a própria marca e exportou US$ 348,7 bilhões, o maior valor da série histórica. A indústria de transformação respondeu por aproximadamente US$ 188,7 bilhões, mostrando que o resultado não veio apenas do agronegócio e da mineração.
Os últimos três anos formaram o melhor conjunto de resultados da história do comércio exterior brasileiro. Em 2026, até a segunda semana de agosto, as exportações ainda cresciam 14,3% na comparação com igual período do ano anterior, conforme os dados do MDIC.
O governo contribui quando amplia mercados, melhora relações diplomáticas, financia produção, reduz entraves e negocia acordos. Mas preços internacionais, demanda externa, câmbio e produtividade das empresas também influenciam o resultado.
Produção de alimentos alcançou recordes.
A safra de grãos 2024–2025 atingiu 350,2 milhões de toneladas, alta de 16,3% sobre o ciclo anterior e novo recorde, segundo a Conab. A estimativa para 2025–2026 chegou a 360,8 milhões de toneladas.
O resultado foi impulsionado por soja, milho e algodão, além de recuperação em arroz e feijão. Houve contribuição de crédito rural, Plano Safra, tecnologia, expansão de área e condições climáticas favoráveis.
É importante separar duas coisas: recorde de safra não garante automaticamente comida barata na mesa. Parte relevante da produção é exportada ou destinada a cadeias industriais e alimentação animal. Para combater a fome também são necessários renda, estoques públicos, agricultura familiar, abastecimento e políticas como PAA e alimentação escolar.
Indústria automobilística voltou a crescer.
Em 2025, o Brasil produziu cerca de 2,65 milhões de veículos, alta de 3,5% sobre 2024. As exportações cresceram 32,1% e chegaram a 528 mil unidades, o melhor desempenho desde 2018. Em 2026, a produção continuou avançando e o primeiro semestre foi o melhor desde 2019, segundo a Anfavea.
Vacinação voltou a crescer.
O governo Lula também encontrou coberturas vacinais em queda depois de anos de desinformação e negacionismo.
Em 2023, o Brasil reverteu a tendência e aumentou a cobertura de 9 das 16 principais vacinas do calendário infantil. Em 2025, todas as vacinas infantis apresentaram cobertura superior à de 2022.
A cobertura da tríplice viral chegou a 92,96% em 2025, contra 80,7% em 2022. O número estimado de crianças que não haviam recebido nenhuma vacina, as chamadas “zero dose”, caiu de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e 50 mil em 2025, segundo relatório da OMS e do Unicef divulgado pelo Ministério da Saúde.
O Brasil também saiu da lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas. O ICL Notícias registrou a reversão reconhecida pelo Unicef.
Vacinação não é detalhe administrativo. É criança protegida contra pólio, sarampo, meningite, coqueluche e outras doenças que podem matar ou deixar sequelas.
Outros pontos positivos do governo Lula.
Além da queda da fome, do desemprego e da pobreza, outros resultados merecem destaque:
Retomada da valorização real do salário mínimo;
Renda domiciliar e massa de rendimentos em níveis recordes;
Menor desigualdade de renda da série da PNAD Contínua;
Reconstrução do Bolsa Família, do PAA, do Minha Casa, Minha Vida, do Mais Médicos e da Farmácia Popular;
Criação do Pé-de-Meia para combater a evasão no ensino médio;
Retomada de obras paradas e de investimentos pelo Novo PAC;
Aprovação da reforma tributária sobre o consumo, com cesta básica nacional de alíquota zero e mecanismo de devolução de impostos para famílias de baixa renda;
política Nova Indústria Brasil e expansão do crédito do BNDES para inovação, indústria e transição energética;
Política Nova Indústria Brasil e expansão do crédito do BNDES para inovação, indústria e transição energética;
Renegociação de dívidas pelo Desenrola Brasil;
Expansão de universidades, institutos federais e hospitais universitários;
Redução da pobreza e da extrema pobreza;
Queda do desmatamento na Amazônia em relação a 2022;
Recuperação das relações diplomáticas e abertura de novos mercados para produtos brasileiros;
Exportações e safra de grãos em níveis recordes;
Crescimento da indústria em três anos consecutivos, embora mais fraco em 2025.
Defender as conquistas do governo Lula não exige esconder os problemas.
O Brasil ainda tem famílias com fome. O custo da alimentação continua alto para quem ganha pouco. A informalidade permanece grande. Os juros reais seguem entre os mais elevados do mundo. A indústria ainda representa uma parcela menor da economia do que no passado. O déficit habitacional, a violência, as filas no SUS e a desigualdade regional continuam graves.
Mas governar é escolher prioridades. E os números mostram uma diferença clara entre projetos.
Antes de 2003, o Brasil já tinha democracia, SUS e moeda estável, mas ainda aceitava a fome como parte da paisagem.
Com Lula e os governos do PT, o combate à fome virou política de Estado, o salário mínimo ganhou valor, milhões conquistaram emprego formal, universidade, remédio, energia, água e moradia.
No governo Bolsonaro, o país voltou ao Mapa da Fome e assistiu à fila do osso.
Com a volta de Lula, o desemprego caiu ao menor nível da série, a renda bateu recorde, a vacinação cresceu, as exportações e a produção de alimentos alcançaram novas marcas e o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome.
Essa é a diferença entre um governo que trata o pobre como peso e um governo que reconhece o pobre como cidadão.
O Brasil ainda não resolveu todos os seus problemas. Mas já provou duas vezes que, quando o combate à fome é prioridade, a fome recua.
E isso não é milagre.
É decisão política.
Compartilhe este artigo. A memória do povo é a primeira defesa contra a mentira.
Aqui eu explico política de forma direta, com fatos e fontes. Acompanhe o site e siga o meu perfil.