A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira a segunda fase da Operação Sem Refino, cumprindo 16 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro. O ex-governador fluminense Cláudio Castro volta a ser alvo das autoridades em um desdobramento que aprofunda as investigações sobre um esquema bilionário de fraudes e irregularidades no setor de combustíveis.
Fraudes em licenças ambientais e lavagem de dinheiro
A nova etapa da operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concentra-se na apuração de indícios de fraude na concessão de licenças ambientais para a Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos. A Polícia Federal investiga se as liberações governamentais foram concedidas de forma irregular, ignorando e atropelando as diretrizes dos órgãos técnicos competentes do estado. O inquérito central também aponta para fortes suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas e crimes contra a ordem econômica.
Ajude este portal a continuar existindo com apenas R$ 10
Rápido e sem burocracia
Contribua via Pix em segundos. Sem precisar de cartão ou criar contas longas.
Você decide como ajudar
Sugerimos R$ 10, mas qualquer valor voluntário mantém nosso jornalismo vivo.
Informação para todos
Seu apoio garante que nossas notícias continuem gratuitas e acessíveis.
+6.500 pessoas já apoiaram
O montante bloqueado e o alcance das buscas
A magnitude da investigação já havia chamado a atenção na primeira fase, deflagrada em maio de 2026, quando o STF determinou o bloqueio de impressionantes R$ 52 bilhões em ativos financeiros. O confisco atingiu contas e bens ligados às empresas sob investigação e aos indivíduos envolvidos no suposto esquema. As buscas deflagradas hoje não se limitaram ao ex-governador. A operação atingiu também ex-integrantes do alto escalão de sua gestão, como o ex-secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, e o ex-secretário de Transformação Digital, José Mauro Júnior. Advogados e empresários suspeitos de intermediar as fraudes também tiveram endereços visitados pelos agentes.
Prisão preventiva e foragido internacional
Entre os nomes de maior peso no inquérito está o empresário Ricardo Magro, dono da Refit e historicamente apontado como um dos maiores devedores contumazes de impostos do Brasil. Magro foi alvo de um mandado de prisão preventiva ainda na primeira fase da Operação Sem Refino. No entanto, por residir no exterior, mais especificamente nos Estados Unidos, o empresário não foi capturado. Como consequência de sua ausência e da gravidade das acusações, seu nome foi incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, consolidando oficialmente seu status de foragido internacional procurado pela justiça brasileira.
Em meio aos intensos desdobramentos desta manhã, a defesa de Cláudio Castro se pronunciou para negar que o ex-governador tenha sofrido mandados de busca em sua atual residência. O advogado Carlo Luchione, que representa Castro, declarou à imprensa que seu cliente desconhece ter sido o alvo central da operação de hoje. A respeito das diligências e buscas realizadas por agentes federais em um imóvel na cidade de Petrópolis, na Região Serrana, associado ao ex-mandatário, a defesa apresentou sua justificativa. Segundo os advogados, a propriedade em questão era apenas alugada e o contrato de locação já havia sido formalmente rescindido há meses, logo após a saída definitiva de Castro do comando do governo estadual.