Davi Alcolumbre durante sessão do Congresso Nacional, alvo de pressão da oposição para instalação da CPMI do Banco Master. Foto: Reprodução
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A oposição no Congresso Nacional vem pressionando o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para que ele formalize a instalação da CPMI do Banco Master — comissão que investigaria fraudes e irregularidades bilionárias na instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025. Apesar de o requerimento reunir assinaturas acima do mínimo constitucional exigido, Alcolumbre tem adiado a leitura do pedido em sessão conjunta — passo formal necessário para abrir a comissão —, o que parlamentares de oposição classificam como "segredismo" e tentativa de proteger nomes ligados ao caso, incluindo possíveis conexões com o Judiciário.
O Banco Master foi liquidado por ordem do Banco Central em 18 de novembro de 2025, com o controlador Daniel Vorcaro sendo preso por suspeita de lavagem de dinheiro. A partir daí, o episódio se transformou em um dos maiores escândalos financeiros e políticos do ano, com desdobramentos que atingem o sistema financeiro, fundos de pensão públicos e, segundo investigações da Polícia Federal, até organizações criminosas.
O requerimento e a pressão inicial
Em 3 de fevereiro de 2026, foi protocolado no Congresso o requerimento para criação de uma CPMI destinada a investigar irregularidades no Banco Master, com apoio de 42 senadores e 238 deputados federais — número acima do mínimo constitucional exigido. O pedido, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), somou ao todo 281 assinaturas (42 senadores e 239 deputados). Pelas regras constitucionais, uma vez atingido esse patamar, bastaria a leitura formal do requerimento em sessão conjunta do Congresso para que a comissão fosse automaticamente instalada.
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A resistência de Alcolumbre
Mesmo com os requisitos formais cumpridos, Alcolumbre vem evitando ler o requerimento. Em maio, durante sessão do Congresso convocada para tratar de vetos presidenciais, ele se recusou a fazer a leitura, e ao ser questionado por jornalistas sobre os motivos limitou-se a dizer que não podia responder. Alcolumbre também argumentou que a leitura de requerimentos é um "ato discricionário" da Presidência, cabendo exclusivamente a ele decidir quando isso ocorre. Publicamente, o senador chegou a classificar a mobilização pela CPMI como uma tentativa de gerar capital político em meio ao clima eleitoral, e não um esforço genuíno de fiscalização, chegando a se desculpar em plenário por não atender ao pedido de instalação por considerar que a pauta do dia já estava definida em torno de vetos que beneficiariam prefeitos.
O termo "segredismo" ganhou força como bandeira da oposição por meio do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que criticou a postura de Alcolumbre lembrando que o próprio presidente do Congresso havia se comprometido, ainda em 2019, a acabar com o segredismo da República — promessa que, segundo o senador, não vem sendo cumprida. A crítica se soma à de outros parlamentares, como o líder da oposição Izalci Lucas (PL-DF), que acusou a presidência do Legislativo de segurar propositalmente a leitura do pedido, impedindo o início formal dos trabalhos, e destacou que o avanço da comissão dependeria apenas de um gesto de Alcolumbre. Já o deputado Kim Kataguiri chegou a afirmar publicamente que a Mesa Diretora estaria contrariando entendimento do STF, segundo o qual, uma vez atingido o número mínimo de assinaturas, a instalação da CPI deveria ocorrer de forma praticamente automática.
Estratégias alternativas da oposição
Diante da resistência de Alcolumbre em abrir uma comissão exclusiva, parte da oposição passou a usar comissões já existentes — como a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado — para manter o caso Master sob escrutínio, mesmo com o material repassado pela Polícia Federal sob regime de sigilo, o que pode impedir que o conteúdo se torne público. Essa fragmentação, porém, é vista com ressalvas por parte dos próprios parlamentares: o senador Eduardo Girão defendeu que não adianta "pegar atalho" pelas comissões já instaladas, insistindo na necessidade de um colegiado exclusivo para o tema. Some-se a isso o fato de que a CPI do Crime Organizado aprovou quebras de sigilo de uma gestora (Reag) cujos fundos podem ter movimentado cerca de R$ 250 milhões ligados ao PCC, além de operações fraudulentas do Master, ampliando a teia de conexões investigadas.
Desdobramentos e situação em julho de 2026
Até início de junho, a situação seguia travada: o caso Banco Master já havia gerado ao menos quatro pedidos de investigação no Congresso — duas CPIs e duas CPMIs — apresentados por parlamentares de oposição, de esquerda e da própria base governista, mas que permaneciam parados nas mãos de Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Bastidores relatados pela imprensa também apontam que Alcolumbre estaria em posição delicada: de um lado pressionado a convocar sessão conjunta para votar veto sobre a dosimetria das penas dos condenados por 8 de janeiro, e de outro sabendo que essa mesma convocação obrigaria, pelo regimento, a leitura do requerimento da CPMI do Master. Parte da oposição também associa a resistência do Congresso à necessidade de proteger nomes ligados ao Judiciário — há menções, em outras reportagens sobre o caso, a supostos vínculos entre o controlador do banco e familiares de ministros do STF, tema que tem mantido a pressão política também sobre a Corte.