Estatais federais acumulam rombo recorde de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2026
O resultado para o período desde o início da série histórica, segundo dados do Banco Central. O levantamento considera empresas públicas não financeiras e exclui instituições
Dados do Banco Central mostram déficit recorde das estatais federais no primeiro semestre de 2026. Foto: Democrático
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As empresas estatais federais registraram um déficit primário de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, o pior resultado para o período desde o início da série histórica, segundo dados do Banco Central. O levantamento considera empresas públicas não financeiras e exclui instituições como bancos públicos e empresas com características específicas de mercado, como Petrobras e Eletrobras, conforme a metodologia fiscal utilizada pelo BC.
O resultado amplia uma sequência de números negativos iniciada nos últimos anos. De acordo com projeções fiscais do governo, parte das empresas estatais deve continuar operando com dificuldades financeiras nos próximos anos, com expectativa de resultados negativos até 2030. No primeiro quadrimestre de 2026, o Tesouro Nacional já havia registrado déficit de R$ 6,5 bilhões nas empresas estatais federais, acima da previsão inicial para o período.
Além das empresas federais, os dados mostram diferenças entre os níveis de governo. As estatais estaduais registraram déficit de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, enquanto as empresas municipais tiveram resultado positivo, com superávit de cerca de R$ 350 milhões no período. O desempenho das estatais passou a ser acompanhado com maior atenção pelo impacto que esses resultados podem ter sobre as contas públicas.
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O governo argumenta que parte dos resultados negativos está ligada a investimentos, reestruturações e ao papel social de algumas empresas públicas, que nem sempre têm como objetivo principal gerar lucro. Já críticos apontam que déficits persistentes podem aumentar a necessidade de aportes da União e pressionar o equilíbrio fiscal.
O cenário ocorre em meio a uma deterioração das contas públicas brasileiras. Dados do Banco Central mostram que o setor público consolidado enfrenta forte pressão principalmente pelo aumento das despesas com juros e pelo crescimento do endividamento. No acumulado de 12 meses até junho de 2026, o déficit nominal chegou próximo de 10% do PIB, influenciado principalmente pelo custo da dívida pública.
Especialistas avaliam que o desafio das estatais será melhorar eficiência operacional, reduzir dependência de recursos públicos e equilibrar investimentos estratégicos com sustentabilidade financeira. O debate voltou ao centro da disputa política, com opositores defendendo maior controle de gastos e defensores das empresas públicas argumentando que a análise deve considerar também o papel econômico e social dessas companhias.