Isolado, Flávio Bolsonaro escolhe para vice deputado investigado por estupro de menor de 13 anos

Após ser rejeitado por PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, Flávio Bolsonaro fechou aliança com deputado do PL que enfrenta grave acusação criminal

Isolado, Flávio Bolsonaro escolhe para vice deputado investigado por estupro de menor de 13 anos
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar em coletiva de anúncio da chapa presidencial 2026. Foto: Reprodução
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Nesta quarta-feira (5/8), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou, em coletiva em Brasília, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu candidato a vice na chapa presidencial de 2026. O anúncio veio depois de recusas sucessivas de PP, Republicanos, União Brasil e Podemos em formar aliança com Flávio.

Quem é Alfredo Gaspar

Gaspar tem 24 anos de atuação no Ministério Público de Alagoas, foi procurador-geral de Justiça entre 2017 e 2020 e também secretário de Segurança Pública do estado. Ele ficou conhecido por relatar a CPMI do INSS e, segundo a Revista Fórum, construiu sua imagem política ligada à chamada "bancada da bala", defendendo endurecimento penal.

A acusação

Gaspar foi denunciado em março de 2024 por suposto estupro de vulnerável envolvendo uma adolescente de 13 anos, além de tentativa de comprar seu silêncio, conforme notícia-crime protocolada na Polícia Federal pelos parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (Podemos-MS). Segundo a Revista Fórum, o documento aponta que a adolescente teria engravidado e que Gaspar teria pago R$ 400 mil para impedir que o caso fosse denunciado.

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Atualmente, o caso tramita como inquérito no Supremo Tribunal Federal, aberto a pedido da Polícia Federal após representação de parlamentares da oposição, e aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República. Além disso, Gaspar também é alvo de investigação no Tribunal de Contas da União sobre emendas parlamentares.
Gaspar nega integralmente as acusações, afirma ser alvo de perseguição política e diz possuir um exame de DNA que o eximiria de responsabilidade no caso. Segundo a Revista Fórum, ele sustenta que a mulher apontada como vítima seria, na verdade, filha de um primo seu — e não dele. Em vídeo divulgado nas redes, a própria mulher teria negado ser filha de Gaspar, atribuindo essa relação ao primo. Ainda segundo esse relato (versão de Gaspar), a relação entre eles teria sido consensual e ocorrido quando ela já não era mais menor — mas essa é a versão do próprio deputado, contestada pela denúncia original.

Contexto político da escolha

Antes de fechar com Gaspar, Flávio consultou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes sobre indicar Michelle Bolsonaro para a chapa, em reunião articulada por Nunes, mas a ideia não avançou. A escolha de Gaspar, mesmo com a denúncia pendente, é descrita pela imprensa como reflexo do isolamento político de Flávio na formação de sua chapa presidencial, já que ele não conseguiu o apoio de partidos maiores do Centrão.