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Um levantamento de reportagens publicadas entre 2022 e 2026 mostra que a campanha de Jair Bolsonaro (PL) recebeu doações de pelo menos oito produtores rurais e empresários incluídos na Lista Suja do trabalho escravo, cadastro oficial do governo federal que torna públicos os nomes de empregadores flagrados por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão. Os valores variam bastante: enquanto alguns doadores contribuíram com apenas R$ 1 via Pix, outros — como o produtor de algodão Oscar Luiz Cervi, fornecedor da multinacional Bunge há mais de quatro décadas — doaram R$ 1 milhão para a campanha presidencial de 2022.
O caso mais recente veio à tona em julho de 2026, quando auditores fiscais do Ministério do Trabalho autuaram Cervi por manter 35 trabalhadores em condições degradantes na Fazenda Reata, em Campo Novo do Parecis (MT), incluindo restrições à liberdade de locomoção — um dos critérios legais que caracterizam trabalho análogo à escravidão. Cervi ainda pode recorrer da autuação em duas instâncias administrativas antes de entrar formalmente na Lista Suja.
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Outros nomes se repetem nesse levantamento: o cafeicultor Guilherme Sodré Alckmin Júnior, cuja Fazenda Floresta, em Heliodora (MG), teve 20 trabalhadores resgatados em 2021; e o empresário do setor madeireiro Gilson Mueller Berneck, alvo de fiscalização em 2007 após 47 trabalhadores serem libertados de uma de suas fazendas no Mato Grosso — este último doou R$ 150 mil à campanha. Segundo análise do projeto Data Fixers em parceria com a Fiquem Sabendo e o InfoAmazonia, a campanha de Bolsonaro recebeu mais de R$ 3,1 milhões só no primeiro turno de 2022 vindos de doadores com infrações ambientais ou trabalhistas registradas.
Procurados pela imprensa à época, alguns dos doadores negaram irregularidades ou afirmaram que os processos ainda estavam em curso nas instâncias administrativas competentes. Não há indicação nas reportagens de que a campanha tenha verificado previamente o histórico desses doadores antes de receber os valores — o que é uma prática comum no financiamento eleitoral brasileiro, já que doações de pessoas físicas não passam por triagem automática quanto a processos trabalhistas.