Dívida de Minas Gerais explode 88% em 3 anos, chegando a R$ 201 bi. Estado deve R$ 177 bi ao governo federal, mais que o orçamento anual. Renúncias fiscais opacas ampliam o rombo.
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A dívida total de Minas Gerais ultrapassou R$ 201 bilhões, 88% desse valor (cerca de R$ 177 bilhões) corresponde ao que o estado deve ao governo federal. Para ter uma noção da escala, esse valor é maior do que toda a receita prevista no orçamento de 2026 do estado, que é de R$ 127,1 bilhões.
Quando Romeu Zema assumiu o governo em 2019, o estoque da dívida estava em torno de R$ 113,8 bilhões. Ao longo do mandato, o valor superou R$ 200 bilhões, considerando a evolução dos encargos e atualizações contratuais. O principal motor desse crescimento, segundo o próprio governo, foi a indexação da dívida à taxa Selic — que ficou muito elevada no período.
Minas Gerais entrou em 2026 com saldo negativo de R$ 11,3 bilhões em recursos livres (aqueles sem destinação obrigatória), além de R$ 3,7 bilhões em restos a pagar ainda não liquidados. Esse déficit é o maior entre todos os estados brasileiros que fecharam 2025 no vermelho.
O que explica essa dívida gigantesca?
Além dos juros sobre a Selic, um economista do Conselho Regional de Economia de MG aponta que o estado abriu mão de mais de R$ 100 bilhões em renúncias fiscais e isenções tributárias, sem transparência adequada, o que ampliou o desequilíbrio estrutural das contas.
Somente à União, Minas deve R$ 179,3 bilhões — valor confessado no ato de adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) em 31 de dezembro de 2025. A amortização será feita em 360 parcelas (30 anos). O estado optou pela modalidade que permite abatimento de até 20% do saldo devedor, com correção pelo IPCA e juros de 0% ao ano, podendo federalizar ativos estatais como parte do pagamento.
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