Lula embarca hoje para Washington em visita a Trump

O encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está marcado para esta quinta-feira.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou nesta quarta-feira rumo a Washington para um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para esta quinta-feira (7). A previsão é de que Lula deixe Brasília às 13h e chegue à capital americana às 21h, no horário de Brasília. 


A Casa Branca confirmou que Trump receberá Lula para uma visita nesta quinta-feira (7/5), em Washington. O encontro deve tratar de temas considerados prioritários para os dois países, como economia e segurança.

O retorno de Lula ao Brasil está previsto para a sexta-feira (8). A reunião com Trump deve ser a única agenda oficial do presidente brasileiro nos Estados Unidos.


A visita foi articulada desde que os dois líderes se encontraram pela primeira vez, em setembro do ano passado, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. Em janeiro de 2026, voltaram a se falar por telefone, ocasião em que acertaram uma visita presencial. A viagem, inicialmente anunciada para março, acabou sendo adiada em razão do foco de Trump no conflito contra o Irã.

A viagem é resultado de um processo de aproximação iniciado em janeiro de 2026, quando Lula e Trump mantiveram uma conversa telefônica de cerca de 50 minutos. Lula definiu como necessário um encontro "olho no olho".


A pauta da reunião


As exportações do Brasil para os Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026 atingiram a menor participação histórica desde 1997, somando US$ 7,8 bilhões — uma redução de 18,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Os EUA passaram a responder por apenas 9,5% das exportações brasileiras.

Há preocupação no governo brasileiro com a possibilidade de Trump voltar a impor taxas ao Brasil por meio da chamada "seção 301", mecanismo pelo qual os EUA investigam supostas práticas desleais de comércio. A apuração envolve temas como o Pix, big techs e etanol.


O Pix na mira dos EUA


O Pix foi citado três vezes nas mais de 500 páginas do National Trade Estimate Report de 2026. O documento afirma que "o Banco Central do Brasil criou, detém, opera e regula o Pix" e que "partes interessadas dos EUA expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao Pix, o que prejudica os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA." 


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Em resposta, Lula adotou postura firme: "O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", disse o presidente no início de abril durante um evento na Bahia.


O assunto dos Minerais críticos


Os Estados Unidos querem reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China em terras raras, lítio, níquel e outros insumos usados em carros elétricos, semicondutores, defesa, energia limpa e tecnologia de ponta. O Brasil entra nessa mesa com algo que Trump precisa: recurso natural estratégico.


O incentivo brasileiro à exploração das reservas de minerais críticos é o principal interesse dos americanos. O investimento total com dinheiro público americano na área é de até R$ 12 bilhões, incluindo explorações dentro do território. A maior parte do orçamento investido é do Departamento de Guerra.


Em abril, a empresa "Terras Raras dos EUA" anunciou a compra da brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. A Serra Verde explora terras raras em Goiás, e o negócio fortalece a carteira da empresa americana em mineração, processamento e ímãs.

A sinalização de avanço do projeto de lei para regras sobre exploração de minerais críticos na Câmara foi o que destravou as negociações e levou à definição de data para a conversa presencial.


Crime organizado e segurança

Outro tema sensível na reunião é a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A medida preocupa autoridades brasileiras, que veem risco de impactos na soberania nacional e nas políticas de segurança pública.