Anvisa analisa vídeos de pessoas bebendo detergente Ypê e pode adotar medidas jurídicas

Ministro Alexandre Padilha confirmou que a agência recebeu gravações de pessoas ingerindo detergente como protesto político à suspensão de lotes da marca; Anvisa avalia ações legais e alerta sobre ris

Anvisa analisa vídeos de pessoas bebendo detergente Ypê e pode adotar medidas jurídicas
A Anvisa pode adotar medidas contra pessoas que estão consumindo detergente diretamente. Foto: Ascom/Anvisa.
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que a Anvisa recebeu vídeos de pessoas consumindo detergente da marca Ypê como forma de protesto após a agência determinar a suspensão de alguns produtos da marca por irregularidades na produção. A agência reguladora analisa o conteúdo das gravações e avalia possíveis medidas jurídicas.


O que originou a polêmica

Na última quinta-feira (7), a Anvisa publicou a Resolução nº 1.834/2026, determinando a suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca com numeração final 1. 

Segundo os fiscais, foram identificados problemas estruturais, irregularidades em processos de qualidade e histórico de análises com presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de produtos acabados. A empresa conseguiu reverter temporariamente a decisão por meio de recurso administrativo, mas a recomendação para que consumidores evitem utilizar os produtos afetados segue mantida.


A reação nas redes e os vídeos

Após a decisão, vídeos de pessoas usando produtos da marca de forma inadequada começaram a circular nas redes sociais. Algumas gravações mostram pessoas tomando banho com detergente e até simulando ingestão do produto. A mobilização em defesa da marca ganhou força após a repercussão de doações feitas pelos donos da empresa à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também publicou mensagem elogiando a marca, ampliando ainda mais a discussão online.

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A resposta do governo

O ministro Padilha classificou os vídeos como "irresponsáveis" e alertou que os autores "esquecem que crianças assistem esses vídeos". Para ele, os conteúdos tentam transformar uma decisão técnica da agência em uma disputa política.

Padilha reforçou que a decisão da Anvisa foi baseada em critérios técnicos e não possui qualquer motivação política, destacando que a ação contou com técnicos da Vigilância Sanitária municipal e estadual de São Paulo — governado por Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro. 


Os riscos à saúde

As autoridades de saúde alertam que produtos de limpeza não devem ser ingeridos em nenhuma hipótese. Entre os riscos estão intoxicação, queimaduras internas, problemas respiratórios e complicações gastrointestinais. Especialistas destacam que conteúdos desse tipo podem incentivar comportamentos perigosos, principalmente entre adolescentes.

A decisão definitiva da diretoria colegiada da Anvisa sobre os lotes investigados está prevista para quarta-feira (13).